Rio tem o menor índice do país por habitantes

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Fernanda Dannemann, Jornal do Brasil

RIO - Disponíveis no site do Ministério da Saúde, os últimos dados sobre as taxas e números absolutos por suicídio no Brasil são do ano de 2006, e, para os cariocas, há uma notícia boa e uma ruim: considerando a taxa de mortalidade por suicídio por cada 100 mil pessoas, o Rio ficou com o mais baixo índice. No entanto, segundo explica Valéria Queiroz, doutora em psiquiatria pela Universidade de Pisa, na Itália, e professora do Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental da Universidade Federal Fluminense (UFF), em termos absolutos, o que vemos é o inverso.

Em 2006, o Rio foi a segunda capital brasileira com maior número de óbitos por suicídio, com 147 mortes, ficando atrás apenas de São Paulo, com 469 casos afirma.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, o aumento mundial das taxas de suicídio foi de 60% no período entre 1950 e 2000. Ainda que o Brasil seja considerado, pela própria OMS, um país de baixo risco para o suicídio com taxas anuais em torno de 4,6 mortes por cada cem mil habitantes Valéria Queiroz explica que a taxa brasileira cresceu aproximadamente 21% entre 1980 e 2000.

A maioria dos casos é relacionada a homens e a pessoas com mais de 65 anos. No entanto, seguindo uma tendência mundial, o suicídio de jovens entre 15 e 24 anos vem crescendo bastante.

Além disso, determinados grupos populacionais no Brasil apresentam cifras que se aproximam de países do leste europeu e da Escandinávia, áreas consideradas de risco elevado. Entre eles, jovens em grandes cidades, indígenas do Centro-Oeste e do Norte e lavradores do interior do Rio Grande do Sul.

Segundo a especialista, o método escolhido na tentativa depende da disponibilidade, ou seja, do acesso que a pessoa tem aos instrumentos para provocar o suicídio.

Os homens utilizam métodos mais violentos e instrumentos com alto poder de letalidade, por isso obtêm mais êxito em suas tentativas. Já as mulheres, utilizam-se, sobretudo, de medicamentos. Ou seja, as mulheres tentam mais, e os homens se suicidam mais explica.

Valéria também salienta que, embora os hospitais exerçam papel fundamental no atendimento destes casos sendo, muitas vezes, determinantes na preservação da vida nem sempre as equipes de saúde percebem a importância de encaminhamento deste paciente para um profissional de saúde mental, de modo a prevenir contra novas tentativas.

A identificação e o tratamento precoces dos fatores de risco, assim como o treinamento de profissionais de saúde, são essenciais para o controle da situação afirma.