Ciep número 1 não corre mais risco
Marcelo Migliaccio, Jornal do Brasil
RIO - Primeiro Ciep (Centro Integrado de Educação Pública) inaugurado no Rio, em 1984 e um dos que conservam as características originais idealizadas pelo antropólogo e ex-secretário de Educação Darcy Ribeiro (1922-1997), o colégio Tancredo Neves, no Catete (Zona Sul) esteve ameaçado de sumir do mapa. A recente aprovação na Câmara Municipal do projeto que permite a venda de 75 terrenos do metrô, acendeu o sinal vermelho no Ciep, construído em um deles. Procurada pelo JB, no entanto, a Secretaria de Transportes negou que a escola vá ser desalojada.
Essa ameaça foi uma bomba para professores, alunos e principalmente os pais conta Solange de Paula, diretora do Ciep. Uma escola como essa, projeto do Oscar Niemeyer, deveria ser tombada.
Na Justiça
Aliado de primeira hora do ex-governador Leonel Brizola (1922-2004), o deputado estadual Paulo Ramos (PDT) disse que entraria com um mandado de segurança nesta semana para garantir o funcionamento do Ciep:
Não queremos ser surpreendidos com o fechamento da escola justificou.
Com 600 alunos estudando em horário integral, o Tancredo Neves conta ainda com 24 alunos carentes que moram na escola (12 meninos e 12 meninas), cuidados por um casal de funcionários da prefeitura, chamados de pais sociais. À noite, outros 300 jovens e adultos de 17 a 40 anos tentam recuperar o tempo de estudo perdido.
Solange ressalta o apoio aos Cieps dados pela atual secretária de Educação, Claudia Costin.
A prefeitura dá muita força. Com o tempo integral, temos aulas de música, artes plásticas e cênicas. Não podemos prender a criança na sala o dia inteiro diz a diretora.
Por sua assessoria, a secretária afirmou que não hove qualquer conversa com o estado sobre o terreno onde se localiza o colégio. Perguntada a respeito dos prós e contras do projeto do Ciep, Claudia Costin foi suscinta:
Todas as 1.063 escolas da rede municipal são fundamentais para o projeto educacional da prefeitura.
Modelo elogiado
A educadora Lucia Velloso Maurício, da Uerj, acha que a educação em tempo integral é fundamental num país como o Brasil:
No passado, deixamos de cumprir tantos requisitos necessários para oferecer educação para todos, que hoje torna-se indispensável a extensão da escolaridade, em anos e em horas, para dar conta do que não efetivamos.
Ela refuta o argumento de que o Ciep é uma escola cara.
O investimento do Estado na formação das classes populares forma profissionais capazes de participar do trabalho produtivo, gerando valor para a sociedade.
