Estudo mostra que zona oeste carece de capacitação profissional
João Pequeno, JB Online
RIO - Com participação na economia local bem superior à média municipal, o setor industrial da Zona Oeste pode ser o motor para aumentar os poucos empregos formais da região, segundo estudo do Instituto de Economia da UFRJ apresentado ontem na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), mas esse salto tropeça na falta de qualificação profissional da população de seus bairros.
Os cursos técnicos e universitários da região não resolvem esse problema por oferecerem majoritariamente outras formações, conforme analisa a economista Renata La Rovere, coordenadora da pesquisa, que se ateve aos bairros de Santa Cruz, Campo Grande, Bangu e Realengo, maiores pólos industriais da Zona Oeste e foi incorporada ao Fórum de Desenvolvimento Econômico do Rio, chancelado pela Alerj.
Segundo Renata, há 12 universidades e 12 unidades de ensino técnico nesses bairros, mas quase nenhuma com formação profissional na linha das principais fábricas, como a siderúrgica Gerdau Cosígua, a indústria de pneus Michelin e a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), com inauguração prevista para o segundo semestre.
A única exceção que ela aponta é do Centro Universitário da Zona Oeste (Uezo), que tem cursos como o de tecnólogo em siderurgia.
A Gerdau, por exemplo, precisará de peças para reposição e manutenção em caldeiras, o que poderia ser suprido por pequenas e médias indústrias locais, caso elas tivessem especialização.
De acordo com a pesquisadora, o perfil dos moradores jovens da região, com índice de ensino médio completo superior à média do Rio de Janeiro (45% contra 39%) favoreceria a abertura de mais cursos técnicos e universitários visando às indústrias locais.
O peso da indústria na economia desses bairros, mesmo com gargalos, já demonstra essa vocação ressalta a economista da UFRJ.
Segundo o presidente da Alerj, deputado Jorge Picciani (PMDB) este peso tende a aumentar com a abertura da CSA para a qual a assembleia aprovou incentivos fiscais necessários e com a abertura do arco rodoviário ligando o Porto de Itaguaí à rodovia BR-116, prevista para o próximo ano.
A produção industrial nos quatro bairros estudados correspondeu, em média, a 7,5% da atividade econômica, contra 5,8% do Rio, segundo dados de 2006 do Ministério do Trabalho e Emprego nos quais se baseou a pesquisa iniciada em 2007.
A diferença nos empregos formais foi maior do que o dobro: 17,5% dos trabalhadores registrados na região estavam na indústria contra 8,5% na média do município.
Mesmo assim, os empregados formais nesses quatro bairros foram apenas 7,3%, contra 33,2% no Rio, ainda de acordo com os dados do ministério analisados pela UFRJ.
