Clima de festa sem choque de ordem

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Ricardo Schott, JB Online

RIO - Atuante semanalmente nos choques de ordem promovidos pela prefeitura, a fiscalização da Secretaria Especial da Ordem Pública deu uma aliviada nos vendedores ambulantes durante o Viradão Carioca. Em shows como o do DJ Marlboro, na Praça 15 (no sábado, às 17h), a presença de comerciantes de comida e bebida foi tolerada. Quem estivesse com carrocinha ou carrinho só pôde ficar fora da área demarcada para o público. Dentro dela, apenas os que circulavam com isopores. Em dias normais, ambas as práticas são reprimidas. A consequência foi uma quantidade grande de lixo nas proximidades da Rua São José.

Demos uma folga, já que todos os vendedores de cerveja e de comida iriam vir mesmo admitiu um fiscal da secretaria que não quis se identificar.

Vendedor de cerveja e refrigerante, José Carlos Mendes contou que, na sexta-feira, quando o Viradão iniciou-se com shows de artistas como Carlos Lyra, as coisas haviam sido ainda mais fáceis.

A gente podia subir com os carrinhos lá em cima. Agora, temos que ficar esperando o público descer aqui e acabamos perdendo compradores explicou o ambulante, que chegou a discutir com um dos fiscais sobre o assunto. Ontem estava mais cheio e vendemos mais bebidas também.

Quem podia circular perto do palco, como Alexandre Silveira, que vendia caipirinhas durante a apresentação do DJ Marlboro, aproveitava:

Vendi bastante, não sofri nenhuma repressão. Só que ganhei mais dinheiro ontem.

Em número bem menor do que numa apresentação comum do DJ, o público se divertia com os funks e com as brincadeiras de Marlboro. Dizendo-se a Lili Embaixatriz , aposentada Marly Azevedo, 61 anos, afirmou acompanhar o funkeiro (que tirou fotos com os fãs depois do show) desde o começo de sua carreira.

Tudo o que ele conseguiu foi graças a muito trabalho e muita luta para fazer o funk ficar conhecido disse ela, vestindo uma camiseta com a foto do funkeiro.

Ao contrário de outros shows apresentados no mesmo local no Viradão, a abertura, com artistas como Carlos Lyra, Dudu Nobre e Beth Carvalho, atraiu cerca de 10 mil pessoas. A reportagem do Jornal do Brasil observou problemas no trânsito nas ruas que davam acesso à Praça, apesar de ser um local com acesso de várias linhas de coletivos.

Sem problemas

A desordem urbana, porém, não aconteceu em todos os palcos do Viradão Cultural. Em eventos como o show dos metais da Orquestra Petrobras Sinfônica, na Praça Guilherme da Silveira, em Bangu (Zona Oeste), na manhã de sábado, as atenções estavam mais voltadas para atrações que viriam no decorrer do dia. Pelo menos seis guardas municipais, 20 policiais militares e 39 seguranças estavam à espera do show da cantora Kelly Key, que aconteceria às 16h e prometia levar mais público à praça. Localizado entre a estação de trem Guilherme da Silveira e o Estádio Proletário, do Bangu Atlético Clube, o espaço comporta cerca de 5 mil pessoas, embora o público do show de clássicos e MPB, na manhã de sábado, não tenha chegado a 50 espectadores.

Eu nem sabia desse show, pensei que já fosse a Kelly Key diz a dona de casa Iolanda Azevedo, antes de perguntar ao repórter do JB que apresentação iria começar. Vou trazer minhas netas de tarde para ver a Kelly. Bangu é um bairro bom, deveria ter mais shows. Aqui só temos a Lona Cultural (Hermeto Paschoal).

Mais sobre o Viradão Carioca nas páginas B2 e B3.