Conheça algumas das frases gravadas na memória de várias ruas cariocas

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João Paulo Aquino, Jornal do Brasil

RIO - No princípio era o verbo, e o verbo faz-se paisagem na Cidade Maravilhosa. Em várias ruas do Rio, fachadas de prédios, monumentos e até grafites deixam mensagens que dão margem a interpretações certeiras ou enigmáticas. Em Copacabana, a estátua de Carlos Drummond de Andrade descansa, de pernas cruzadas, sobre o verso No mar, estava escrita uma cidade . No cemitério São João Batista, o latim Revertere ad locum tuum lembra a acolhida final: Volta ao teu lugar . E até mesmo o que poderia ser considerado pichação, como os versos do profeta Gentileza, no Viaduto da Perimetral, transformou-se em orgulho.

Nos quartéis de bombeiros, há o empréstimo do filósofo romano Terêncio: Nada do que me é humano nos é indiferente .

É uma manifestação cultural, as cidades são vivas. Essas frases acabam compondo uma efervescência cultural defende Flávio Cordeiro, sócio-diretor da agência publicitária Binder. A própria sociedade tende a expelir a intervenção agressiva e adotar as positivas completa.

Há também frases ilegais, criadas por vândalos, que acabam fazendo parte da cidade pelo fato de que é dever do proprietário apagá-las a Comlurb só apaga pichações no patrimônio público, gastando R$ 90 mil por mês.

Algumas se tornam frequentes e constantes, como Só Jesus expulsa os demônios das pessoas e suas variações, comuns em armazéns da Zona Portuária.

O poeta Jorge Salomão afirma que esse comportamento está presente em várias cidades do mundo e que não deixa de ser um dado cultural da urbanização.

Perto da minha casa tinha uma pichação linda: Ouça o silêncio . Era um slogan poético que me fazia pensar várias madrugadas compartilha o poeta.