Colecionador nega teses nazistas

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Marcelo Migliaccio, Jornal do Brasil

RIO - Pivô de uma polêmica desde a última sexta-feira, quando convidados de uma festa em sua casa identificaram motivos nazistas na decoração, o advogado e presidente da Associação de Moradores do Alto Gávea, Luiz Fernando Penna, disse segunda-feira que as teses que defende controle da natalidade e muros em favelas, por exemplo não têm qualquer relação com o regime comandado por Adolph Hitler na Alemanha no século passado.

Hitler adorava que as pessoas tivessem filhos, que multiplicassem a raça ariana. E quem gostava de construir muros era o pessoal da esquerda, como se viu em Berlim disse Penna, de 64 anos, carioca nascido no Catete. Sou contra qualquer tipo de totalitarismo, fizeram uma tempestade num copo de água.

Casado pela segunda vez e pai de um casal de filhos, Penna foi o principal responsável pelo muro de 500 metros que separa as casas do Alto Gávea da região conhecida como 199, extensão da favela da Rocinha que desceu o morro do lado oposto a São Conrado.

Erguida entre 1979 e 1982 numa iniciativa de Penna e vizinhos, a divisão, porém, não impediu que o advogado tivesse sua casa assaltada duas vezes num mesmo dia em 1990, por marginais da favela vizinha.

Foram cinco homens armados de cada vez e colocaram revólver na cabeça da minha filha conta. Depois, um empregado meu foi ao chefe do tráfico na época, que mandou os bandidos devolverem tudo que havia sido roubado.

Penna diz que coleciona uma meia dúzia de armas , todas elas com autorização do Exército. Entre os modelos, ele cita uma Winchester 44, duas calibre 12 e um fuzil Mauser, este usado por vários exércitos, inclusive o alemão na Primeira e na Segunda Guerras Mundiais.

Coleciono muitas coisas: obras de arte, móveis, pratarias, louças. Um dia, veio um cara aqui vendendo duas placas. Uma com a inscrição da Marinha alemã e quatro suasticazinhas de dois centímetros nos cantos e outra com uma foice e um martelo. Gozado é que a placa comunista não gerou nenhuma polêmica na festa.

Indagado sobre o que acha da proliferação de grupos neonazistas pelo mundo, Penna disse que não caracteriza os carecas (skinheads) dessa forma.

Eles não são neonazistas. Na Alemanha de Hitler, que era toda certinha, eles iriam para um campo de concentração. É o mesmo que dizer que índio de desfile de escola de samba é índio. O nazismo era uma coisa alemã para alemães.

Penna criticou a xenofobia que campeia na Europa.

O racismo lá é cada vez maior. Sempre foi assim: em momentos de crise, querem expulsar os estrangeiros; quando há fartura, incentivam a vinda deles para terem mão de obra barata. É uma lástima, mas é da pessoa humana.

O advogado classificou a polêmica após a festa da última sexta-feira como tempestade num copo d'água .

Posso ter o que eu quiser em casa, menos drogas e armas não autorizadas. Não faço apologia de regime nenhum nas ruas.

Penna quer mudar a classificação dos imóveis do Alto Gávea para que possam ter uso comercial, já que foram desvalorizados pelo crescimento da Rocinha.

Aqui, poderia haver escritórios, pousadas e clínicas sem internação. Muita gente tem espaço ocioso depois que os filhos casaram.