PAC acelerado no Alemão: do desemprego ao sustento da família

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Marcelo Migliaccio, JB Online

RIO - Discussões à parte sobre uma natureza eleitoreira, o PAC consegue dar a moradores de comunidades carentes um bem-estar, pelo menos enquanto as obras durarem.

O último Natal na casa de Anderson Luiz Santana, 37 anos, foi para apagar da memória. Não houve ceia, nem um frango assado sequer. Desempregado havia três meses, sobrevivia com biscates que lhe rendiam R$ 200 por mês. Morador da Palmeirinha, outra comunidade do Alemão, ele nada pode dar presentes à pequena Maria Claudia, 4.

Hoje, ele trabalha nas obras do PAC no Morro do Adeus e ainda custa a acreditar que ganha R$ 1.489 por mês. Trabalha de domingo a domingo, das 7h30 às 19h30, é verdade, e sua última folga foi no feriado de primeiro de maio. Mas, mesmo exausto, ele está feliz:

Já comprei uma bicicletinha para a minha filha no aniversário dela conta, orgulhoso, emocionado até.

Na Palmeirinha, a última obra estatal de que Anderson tem lembrança foi em 1985.

Mesmo assim, os moradores é que fizeram tudo em mutirão, luz, esgoto. Quando faltavam dois metros para terminarmos a escada, a prefeitura apareceu para finalizar e inaugurar a nossa obra conta.

Por pouco, Anderson ficaria sem trabalho. A presidente da Associação de Moradores do Adeus, Nilcéa da Conceição conta que a comunidade não estava no PAC.

Fui ao gabinete do deputado estadual Noel de Carvalho (PMDB) quando vieram as maquetes. Falei que o Adeus não poderia ficar de fora.

A rotina de Anderson é a de 44 mil trabalhadores do PAC no Alemão, em Manguinhos e na Rocinha, onde traficantes não criam problemas.

Eles respeitam, não mexem conosco e nem nós com eles. É bom dia, boa tarde e pronto. Até evitam fumar (maconha) quando estamos passando, se afastam.

Casado há 11 anos, Anderson não bebe. Chega em casa cansado do batente e dorme. Já teve folgas demais quando estava desempregado.