Escolas devem ser oásis de paz, diz nova secretária de Educação
Carlos Braga, Jornal do Brasil
RIO - A economista Claudia Costin assume a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro com a missão de enfrentar os inúmeros desafios da área em um período em os recursos vão ficar mais escassos. Essas circunstâncias obrigam Costin a escolher prioridades.
Em entrevista, concedida por e-mail, ao Jornal do Brasil, a secretária afirmou que o primeiro problema a receber a sua atenção é o das escolas localizadas em áreas de risco, dominadas por criminosos. Elas receberão mais cuidados.
Estas escolas precisam de uma ajuda maior pondera Costin. Submetida a violência dentro e fora delas, a criança desenvolve bloqueios cognitivos que dificultam a aprendizagem, e o abandono escolar tem sido maior do que em outras áreas da cidade. Ora, se alguém precisa mais da escola para superar dificuldades, é exatamente esse aluno.
Integração dos pais
Outra das preocupações da secretária de Educação é com a participação da família do aluno na sua vida escolar. Costin acredita que, apesar de o professor desempenhar o papel mais importante neste aspecto da vida do estudante, a família pode incutir nos filhos o gosto pela educação. Um de seus projetos com esse objetivo é a Escola de Pais.
É inspirada no exemplo chileno, para preparar a família para uma maior parceria com a escola explica Costin. A família tem uma participação muito importante no desenvolvimento escolar do aluno. Campanhas de motivação dos pais e responsáveis devem completar esse trabalho.
Escolas da paz
Essas escolas localizadas em regiões conflagradas serão transformadas em Escolas da Paz, adianta Costin. A secretária de educação explica o projeto é torná-las espaços diferenciados de educação, com uma abordagem mais instigante, maior uso de tecnologia da informação. Também será dada mais atenção a bloqueios cognitivos e outras dificuldades de aprendizagem que os alunos tenham.
A criança que estuda em escolas dessas regiões é a que mais precisa das oportunidades que uma boa educação pode oferecer argumenta Costin. Seus professores e diretores terão uma remuneração diferenciada e monitores serão chamados para ajudar os professores em atividades extra-curriculares e recuperação.
Ao ser nomeada pelo prefeito Eduardo Paes, Costin disse que faria um diagnóstico da situação da educação no estado antes de determinar suas diretrizes. Durante o período que antecedeu a sua posse na secretaria, ela já chegou a algumas conclusões.
Em sua análise, há uma grande diversidade nos índices de aprendizagem, medidos pelo Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) em diferentes escolas da rede municipal. Há colégios com padrão de primeiro mundo e outros que apresentam um desempenho similar a países subdesenvolvidos.
Em algumas, uma significativa parte dos estudantes não domina os conteúdos previstos para a sua série.
Constata-se, além disso, que o professor é desvalorizado e tem uma preparação inadequada para os desafios que deve enfrentar. O Rio de Janeiro tem uma rede de escolas que apresentam um desempenho razoável, mas ainda muito aquém do que se espera de uma cidade que tem vocação para ser capital do conhecimento.
Provão municipal
Para refinar os resultados deste diagnóstico, será aplicada uma prova para identificar as lacunas de aprendizagem de cada criança ou jovem e da escola no conjunto. O objetivo é identificar os alunos que precisam de uma recuperação intensiva e quais são os problemas de aprendizagem recorrentes.
Este diagnóstico deve ser referendado e consolidado junto com a rede de escolas após uma revisão geral de português e matemática, que será aplicada em todas as séries logo no início do ano letivo adianta Costin.
Professores leitores
Um dos pontos fracos do sistema educacional do Rio de Janeiro, na avaliação de Costin, é a capacitação dos professores. Para melhorá-la, a secretária de Educação planeja firmar parcerias com universidades. Costin cita uma pesquisa, feita em 2002 pela Confederação Nacional de Trabalhadores da Educação, cujo resultado revelou que 60% dos professores de ensino básico não têm o hábito da leitura. Um de seus projetos chama-se Rio: Uma Cidade de Leitores, que passa por compor a biblioteca pessoal do professor, dar livros, criar clubes de leitura e discussão.
Pretendo fazer parcerias com universidades não só para capacitar professores atuais, como para formar futuros professores, com o programa Bolsa de Formação, que proporcionará, entre outros, a estudantes de pedagogia e licenciatura, a oportunidade de terem uma experiência concreta em sala de aula, seja como segundo educador em salas de alfabetização, seja como apoio ao professor na recuperação escolar detalha.
