Polícias do Rio ganham manuais de procedimentos
JB Online
JÚLIA MOURA - As polícias do Rio de Janeiro ganharam na manhã desta quarta-feira doze de procedimentos que irão auxiliá-las na capacitação dos profissionais que trabalham ativamente na segurança pública. As publicações foram desenvolvidas pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) com a parceria na União Européia e a Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH).
- A principal importância deles (Manuais) é reforçar padrões de policiamento e procedimentos de polícia condizentes com os Direitos Humanos e também dar segurança para o próprio policial no seu agir disse Isabel Figueiredo, diretora Nacional do Programa de Apoio Institucional ás Ouvidorias de Polícia e Policiamento Comunitário. Pela primeira vez o conteúdo de um manual é analisado pela Secretaria Especial de Direitos Humanos.
Na tarde de hoje cerca de 200 policiais civis e militares vão participar de mini-cursos. A previsão é que até o final do ano um jogo virtual, também de capacitação policial, seja lançado. Para o coronel Carlos Jorge Ferreira Fogaça, diretor de Ensino e instrução da PM, as polícias do Rio estavam precisando de bibliografia para dar maior segurança no trabalho dos policiais, mas fez uma ressalva dizendo que nem todas as atividades da polícia devem estar prescritas em manuais .
- A rua não pode ser um laboratório. O policial tem que se basear em regras claras e precisas já escritas. Desta forma, ele se sente mais seguro e é assim que ele tem que ser na rua avalia o coronel Fogaça.
O chefe de assistência Européia, Jean François Olivier, explicou que o projeto tem duas vertentes: fortalecer as ouvidorias de polícia e ter atividades como a unificação dos dados das polícias e a melhor preparação das lideranças comunitárias, sem esquecer de respeitar os Direitos Humanos.
- A violência não é a única resposta à criminalidade. A prevenção também pode resolver o problema da Segurança Pública disse Jean François Olivier.
Aproximadamente 50 mil policiais do Rio irão ter acesso ao 12 manuais com os seguintes temas: Abordagem e Revista a Pessoas, Abordagem a Veículos e Edificações, Gerenciamento de Crises, Negociação de Conflitos, Atendimento a Ocorrências, Biossegurança e Primeiros Socorros, Preservação do Local do Crime, Atendimento ao Turista, Ação Policial e Meio Ambiente, Atendimento à Mulher Vítima de Violência, Ação Policial contra a Discriminação: Racial, Étnica, Religiosa, Origem ou Procedência Nacional e Uso da Arma de Fogo.
O major da PM André Luís Vidal chamou atenção para os números de morte de policiais e disse que com procedimentos simples os policiais que adotarem os manuais poderão salvar vidas, já que muitos não estão preparados para prestar primeiros socorros.
- Nos últimos 10 anos, foram 5 mil policiais feridos, dos quais mil morreram. Perdemos quase um batalhão de policiais a cada dois ou três anos. O manual de primeiros socorros vai diminuir isso a ajudá-los não só a salvar os cidadãos, como os companheiros - disse o major da PM André Luís Vidal.
Para o presidente do ISP, Coronel PM Mário Sérgio de Brito, o manual irá facilitar a vida do policial e promover segurança não só para o policial como para a população. Mário Sérgio espera que as academias das Polícias Civil e Militar adotem os manuais e considera o início para novos modelos de manuais.
Demos um passo importante. O Manual é a consolidação de um trabalho muito grande de produção de conhecimento seguro que vai facilitar a vida do policial, promovendo não apenas segurança para a população mas também para a polícia. Conhecimento seguro que vai dialogar com os valores de Direitos Humanos conclui o coronel Mário Sérgio de Brito.
