Evento transformará estacionamento em área de lazer no Centro do Rio
Bruna Talarico, Jornal do Brasil
RIO - Grama artificial, cadeiras, plantas e som ambiente irão transformar parte de uma das ruas mais movimentadas do Centro da cidade em uma área de lazer e integração. Durante o Vaga Viva, festejado este ano no dia 19 de setembro, aqueles que passarem pelo encontro da Rua Senador Dantas com a Travessa dos Poetas de Calçada poderão se sentar à sombra de arbustos, tocar violão e ler livros e revistas em uma pequena praça especialmente caracterizada, esquecendo por algumas horas da confusão do centro e se apropriando novamente do espaço público.
Batizado originalmente como Park(ing) Day e criado em 2005 na Califórnia, Estados Unidos, o Vaga Viva funciona a partir do pagamento normal pelo uso de áreas lotadas como estacionamento público, que são então adaptadas ao estilo de um parque temporário. No Rio de Janeiro, a Transporte Ativo é a responsável pela realização do evento, comemorado há três anos consecutivos com o objetivo de proporcionar um espaço de bem-estar aos cariocas.
Segundo Zé Lobo, um dos diretores da Transporte Ativo, os cinco responsáveis pela montagem do ambiente chegam ao local antes mesmo do início do fluxo de carros. De acordo com Lobo, das sete da manhã até as sete da noite é possível unir-se aos ativistas e aproveitar para repensar o uso dado ao espaço público.
Queremos proporcionar um dia inteiro dedicado às pessoas, que foram esquecidas nesse modelo de organização do espaço público. Acreditamos que as ruas não são para os carros, e sim para as pessoas defende. O movimento é feito por gente de todo o mundo, que quer melhorar o uso da cidade pelas pessoas, e não pelas máquinas.
Para o leiloeiro Álvaro Ferreira, 45 anos, a iniciativa se contrapõe à realidade de uma cidade mal-estruturada, onde as pessoas são obrigadas a se aglomerar em pequenos espaços enquanto carros tomam grandes espaços.
As pessoas não estão acostumadas a viver em sociedade hoje em dia. Por isso, sou a favor de toda mudança que faça as pessoas se aproximarem assinala.
Não familiarizado com o movimento, o funcionário público Marcelo Matos, 39 anos, acha estranha a criação de um espaço de sociabilização no meio do centro da cidade. Para ele, o barulho e a falta de segurança da região atrapalham o objetivo principal da mobilização.
Eu acharia meio estranho encontrar um lugar assim no meio do centro financeiro do Rio. Aqui tem muito barulho e correria, para não falar da falta de segurança. Associo a leitura e o descanso a um lugar tranqüilo opina.
Já a bancária Fernanda Rocha, 37 anos, que também não sabia do evento, se entusiasmou com a possibilidade de poder se bronzear no intervalo do expediente.
É muito legal ter um lugar pra dar uma pausa no dia. Por aqui, a gente não tem onde tomar sol, por exemplo, e eu sinto muita falta ri. Seria ótimo uma área assim. Quem não gostaria?
