Família quer explicação para morte de soldado dentro de quartel

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Ludmilla Rabello, JB Online

RIO - A família do soldado Tiago Luiz Patrício, de 19 anos, tenta entender a morte do jovem, no último sábado, quando cumpria detenção no quartel do Exército, em Magalhães Bastos, na Zona Norte do Rio.

Segundo o Comando Militar do Leste(CML), o soldado , que era lotado no Parque Regional de Manutenção da 1ª Região Militar, deu entrada com febre e dor de cabeça no setor de Pronto atendimento do Hospital da Vila Militar, em Deodoro, na última sexta-feira. Ele ficou em observação até a manhã seguinte, quando teve cinco paradas cardíacas, e não resistiu.

A família ficou sabendo da morte quatro horas depois. Tiago foi enterrado na manhã desta segunda-feira, no Cemitério de Ricardo de Albuquerque, na Zona Norte. Para familiares e amigos, a morte de Tiago é um mistério, já que o rapaz nunca apresentou nenhuma doença grave:

- Meu filho sempre foi saudável. Estive com ele na quinta-feira e estava bem. O resultado dos exames de coração e sangue feitos enquanto ficou em observação no Hospital da Vila Militar não apontaram nada disse a mãe do jovem.

Uma amiga, identificada apenas como Solange, disse que a família estranhou o fato da cabeça do militar estar enfaixada, já que a ele morreu por conta das paradas cardíacas.

O soldado, que ficaria detido 20 dias por ter faltado ao trabalho, já estava preso há 15. Segundo o padrasto, Waldeir Nunez Werneck, Tiago era tranqüilo e teria recebido a punição injustamente.

- Ele não faltou ao trabalho. Estava fazendo um serviço na casa de um sargento, que disse que não precisaria ir ao quartel naquele dia, mas o sargento não segurou a onda disse Waldeir.

O Comando Militar do Leste informou que Tiago chegou a ser ressuscitado em quatro das cinco paradas cardíacas sofridas e que a equipe médica de plantão prestou toda a assistência ao soldado. O corpo do militar foi removido para o Hospital Central do Exército (HCE), em Benfica, na Zona Norte, e submetido à autópsia. O resultado deve sair em 45 dias. O CML também mandou instaurar Inquérito Policial Militar para apurar a morte do soldado.

Esse não é o primeiro caso de morte de militares dentro do quartel. Há um mês, o Exército abriu inquérito para investigar a causa da morte do cadete Maurício Silva Dias, durante um exercício na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), em Resende, no Sul Fluminense. Na época, a mãe da vítima, Cleusa Terezinha Silva Dias, disse que não entendia como um jovem saudável e atlético poderia morrer de repente.

Há cinco anos, o corpo do soldado do Exército Rafael Marins foi encontrado dentro da caixa d'água do quartel onde servia, na Urca, Zona Sul do Rio. Ele teria sido trancado na cisterna por outros soldados. Um inquérito policial militar foi instaurado e quatro soldados suspeitos de envolvimento no caso foram presos.