Vingaça motivou morte de delegado no Recreio dos Bandeirantes

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Duílo Victor e Marcello Victor, JB Online

RIO - A sede de vingança do ex-policial militar Alexandre Lins de Medeiros, de 40 anos, motivou o assassinato do delegado da 20ª DP (Vila isabel), Alcides Iantorno de Jesus, na manhã do último domingo, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste. Ele foi morto nesta terça-feira, quando era perseguido por policiais da Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Drae), em Rocha Miranda, na Zona Norte.

Em 2003, Alexandre fora preso por Alcides Iantorno - então à frente da Delegacia de Roubos e furtos de Automóveis - sob acusação de ser armeiro do traficante Paulo César da Silva Santos, o Linho, apontado como o chefão do tráfico de drogas nas favelas do Complexo da Maré. Expulso da corporação, desde então ele vinha nutrindo ódio pelo delegado, monitorando seus passos e arquitentando a vingança, segundo investigações da Polícia Civil.

- Comprovadamente foi um crime motivado por vingança. O caso está encerrado - decretou o chefe de Polícia Civil, Gilberto Ribeiro, durante entrevista coletiva concedida na noite desta terça-feira na sede do órgão no Centro. O secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, também participou. Na oportunidade, também foram apresentadas as armas encontradas na casa do ex-PM.

No apartamento de Alexandre, na Rua Genaro de Carvalho, 1.730, também no Recreio dos Bandeirates, a menos de um quilômetro do local do assassinato de Alcides Iantorno, a polícia encontrou um diário com recortes de jornal e informações sobre a rotina e a vida do delegado. Também foi encontrado um arsenal de armas, como fuzis, pistolas e carabinas. O nome de um promotor, de um agente da Polícia Civil e de uma mulher ainda não identificada, constavam das informações do diário do ex-policial. A polícia suspeita que eles também seriam alvos do criminoso.

Alexandre foi morto usando a mesma roupa do dia em que matou o delegado da 20ª DP: calça jeans, camisa pólo vermelha e boné. As imagens foram captadas pelo circuito interno de segurança do Supermercado Zona Sul, no Recreio dos Bandeirantes. Ele foi baleado na cabeça e no tórax e já chegou morto ao Hospital Carlos Chagas, em Marechal Hermes, às 12h44, segundo a Secretaria Estadual de Saúde.