Secretário pede a Lula a retirada de porta-aviões americano da orla
JB Online
RIO - O secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, enviou nesta sexta-feira, ofício ao presidente Lula e aos ministros da Justiça, Tarso Genro, e das Relações Exteriores, Celso Amorim, solicitando que façam cumprir a Constituição Federal e determinem a retirada, das águas territoriais brasileiras, do porta-aviões americano USS George Washington.
O secretário lembrou no ofício que a Constituição Federal proíbe formalmente a uso da energia nuclear para fins militares em território brasileiro, permitindo seu uso exclusivamente para fins pacíficos. Segundo ele, o porta-aviões transporta, assim como os outros da classe Nimitz, de seis a 10 bombas nucleares e de 10 a 20 torpedos nucleares, inclusive Tomahawks e bombas nucleares de profundidade, e mísseis nucleares em seus aviões.
Maior porta-aviões da Marinha americana, ao lado de outros oito da classe Nimitz, o George Washington chegou esta semana à Baía de Guanabara para, junto com outros 14 navios das marinhas brasileira, argentina e norte-americana, participar da 49ª Operação Unitas, de exercícios navais.
Inventário internacional do Greenpeace registra que já houve no mundo, nos últimos 40 anos, 318 acidentes ou incidentes envolvendo porta-aviões e submarinos nucleares. Como resultado, existem hoje no fundo dos mares 11 reatores nucleares e 19 bombas ou artefatos nucleares que não foram recuperados. Minc lembra que a maior parte desses acidentes ocorreu durante exercícios navais, o que demonstra não existir segurança absoluta em caso de exercícios militares.
As bombas, torpedos e artefatos nucleares do George Washington e os mísseis nucleares dos aviões que ele transporta afrontam nossa Constituição Federal. Não é aceitável a resposta do almirante americano responsável pela Operação Unitas, de que ele não pode dizer se o porta-aviões George Washington transporta ou não armas nucleares. Como a Constituição Brasileira se sobrepõe a qualquer acordo, o governo federal deve determinar que os navios e aviões portando armas nucleares deixem os mares territoriais brasileiros. É nosso entendimento e nosso apelo afirmou Minc.
