Combate a dengue terá força-tarefa em municípios e capital

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Agência JB

RIO - O Superintendente de Vigilância em Saúde da Secretaria de Saúde e Defesa Civil, Victor Berbara, revelou, nesta quarta-feira, dados sobre a dengue no estado: de janeiro a junho deste ano foram registrados 46,8 mil casos da doença contra 28,6 mil no primeiro semestre de 2006. O índice de crescimento do estado do Rio foi de 63%, enquanto que a média do Brasil foi de 45%. Houve surtos nas regiões do Norte e Noroeste fluminense; nas Baixadas Litorâneas (Região dos Lagos) e em áreas do Médio Paraíba e em Paraty, onde até então não havia tido registro de dengue do tipo 3. Já na capital fluminense, Santa Cruz, na Zona Oeste, também notificou vários casos. Segundo Berbara, o Rio não é um caso isolado no país. São Paulo e Rio Grande do Sul também registraram picos do vetor Aedes aegypti.

- Se tomarmos o país inteiro, São Paulo, por exemplo, tem 60 mil casos, um surto que começou no meio do ano, no inverno. Este crescimento vem acontecendo em diversas regiões do país, como Mato Grosso do Sul, com índices de incidência superiores ao restante dos estados, e Rio Grande do Sul. As explicações são várias, como mudanças climáticas e ocupações urbanas caóticas -explicou Berbara.

Outro fator, segundo o superintendente, é a suscetibilidade da população ao vírus 3 da dengue. Segundo ele, o estado está empenhado em medidas para conter o avanço da doença, com o apoio do governo federal, como a criação de uma força-tarefa que combateu a dengue nas áreas dos municípios do estado que mais registraram casos.

- Desenvolvemos duas ações preconizadas pelo Ministério da Saúde. E faremos uma terceira em novembro que são os chamados levantamento de índices rápidos de mosquitos. Baseados nestes levantamentos, concentramos ações de controle de vetor, conseguindo derrubar bastante o número de casos. Durante o mês de julho, na época do Pan, atravessamos uma situação tranquila em relação à dengue.

A proximidade do verão, quando a doença normalmente atinge seu ápice, vem preocupando o superintendente, que vê ainda como agravante o recrudescimento da dengue do tipo 2, que está presente em outros países das América do Sul e Central.

- Com o verão, temos condições ambientais e sociais que favorecem o alastramento do mosquito, que se adapta muito bem à cidade. Temos a possibilidade da reintrodução do vírus 2 no estado, cuja população é suscetível ao vírus.

Berbara planeja combater o Aedes aegypti em várias frentes. Manter a discussão do tema em pauta na mídia, desenvolver ações junto aos municípios para diminuir a possibilidade de um surto maior e a ajuda das forças-tarefas.

- Transferimos vários agentes de saúde de municípios vizinhos para a capital para que ajudassem no controle da dengue, principalmemte na Zona Oeste. Este tipo de solidariedade é o que queremos desenvolver no Rio de Janeiro.O trabalho desenvolvido junto aos municípios de Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Niterói e Belfort Roxo que teve um grande impacto.

Berbara acredita que a população seja bem informada sobre as medidas de combate ao mosquito.

- O problema é que este dado não se materializa na prática e os casos da doença não diminuem. As ações de combate ao vetor por si só não são suficientes. O vetor é multiexplosivo, o agente de saúde passa na sua casa hoje, mas se daqui a duas semanas as condições não forem alteradas, já estão propícias ao inseto se reproduzir. É sobre esta situação que queremos investir.