Dor e comoção marcam caminhada por João Hélio

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Natasha Neri, Agência JB

RIO - Os sete quilômetros por onde João Hélio Vieites, seis anos, foi arrastado e morto no dia sete do mês passado foram palco esta tarde de protestos contra a violência e a impunidade no Rio. Cerca de 800 pessoas se juntaram aos pais do menino, Rosa Cristina e Elcio Vieites, e percorreram as ruas de Oswaldo Cruz, Campinho, Madureira e Cascadura, com fotos de vítimas da violência e cartazes que pediam justiça.

A concentração começou às 13h, na esquina Rua João Vicente com Estrada Henrique de Melo, onde o carro da família foi roubado. Os manifestantes começaram a caminhada por volta das 15h30. Logo em seguida, o secretário de Segurança Pública do Estado, José Mariano Beltrame, e o comandante-geral da PM, coronel Ubiratan ngelo,

chegaram à manifestação.

A via crúcis terminou por volta das 18h, na Rua Cairi, onde o corpo do menino foi abandonado no dia do crime. Os participantes acenderam velas e rezaram, de mãos dadas, um pai nosso e uma ave-Maria.

Ao longo do trajeto, os manifestantes motivaram moradores a se juntarem à multidão, dizendo você aí parado, pode ser assassinado . Rosa Cristina e Elcio receberam muitos abraços e flores brancas durante o percurso. Emocionada, a mãe, que é espírita, revelou ter sonhado várias vezes com o filho. Elcio agradeceu o apoio da população:

As pessoas estão de parabéns, abraçando a causa. Superou as nossas expectativas. Temos de partir para vitória, nos unir pela paz, através da nossa dor.

Acompanhado do filho de seis anos, o bancário Délio Martins, 47 anos, morador da Praça Seca, preferiu perder a praia do que faltar à caminhada:

Poderia ter sido o meu filho. ME senti na obrigação de vir aqui. Expliquei ao meu filho o que aconteceu com o João Hélio hoje e ele quis dar um abraço na Rosa Cristina.

Carregando um cartaz de protesto, o aposentado Miguel Sanches, 81 anos, também fez questão de prestar solidariedade à família de João Hélio. Mesmo debaixo do sol forte, Miguel percorreu parte do trajeto da via crúcis.

Ocrime foi tão brutal que eu sofri como se tivesse acontecido com o meu neto de seis anos descreveu o aposentado.

Pai de Gabriela Padro, morta a tiros em 2003, na Tijuca, Carlos Santiago foi um dos parentes de outras vítimas da violência que estiveram presentes. Para Santiago, deveria ser feito um plebiscito sobre a redução da maioridade penal.

Era contra a redução, mas hoje votaria a favor, porque os menores saem do regime fechado com muita facilidade e não há processo de ressocialização indignou-se.

Atuaram na segurança do evento, 120 policiais militares.