Quinto suspeito alega inocência no caso de João Hélio
Juliana Cariello, Agência JB
RIO - O quinto envolvido no assassinato do menino João Hélio, 6 anos, se entregou à polícia na manhã de ontem. Carlos Eduardo Toledo de Lima, 23 anos, o Dudu, foi preso em Marechal Hermes, depois da polícia ter assegurado à família do infrator sua integridade física.
Depois da prisão dos cinco envolvidos no crime, o delegado Hércules Pires do Nascimento promoverá uma acareação entre os acusados, na terça-feira, para esclarecer a participação de cada um na empreitada. Afim de entender exatamente a mecânica do crime, Hércules fará, ainda, a reconstituição do percurso com as testemunhas. Também sem data definida, será tomado o depoimento da mãe da vítima, Rosa Cristina Fernandes.
Dudu, acusado pelos comparsas de ser o mentor do crime e de tê-los obrigado a participar do roubo, disse que espera o depoimento da mãe de João e o resultado da perícia para provar sua inocência. O jovem disse que, no dia do crime, estava na casa da namorada, no Morro da Congonha, onde passou a noite de quarta-feira. O acusado contou ainda que apenas na sexta-feira soubera da divulgação de seu retrato nos jornais.
Preocupado com a minha integridade física e interessado em mostrar que não participei do crime, me entreguei. Afinal de contas, ser considerado bandido atrapalha para conseguir emprego e até para casar. Quem vai querer casar com um matador de criancinha? diz Carlos Eduardo, que confessou ter participado de apenas um crime com Diego e Ezequiel, seu irmão: um roubo a pedestre, há cerca de 15 dias, em Madureira.
Carlos Eduardo, condenado a quatro anos e seis meses de prisão, em 2004, por roubo de carro, estava em liberdade condicional. Os outros bandidos envolvidos no assassinato de João tinham a ficha limpa, embora duas vítimas de roubo de veículos tenham reconhecido Diego como autor dos crimes. Contra Thiago, Carlos Roberto e Ezequiel, único menor do grupo, não há acusação além do envolvimento no assassinato de João.
O presidente da Associação Brasileira de Juízes da Infância, Guaracy Vianna, e o criminalista Ary Bergher fizeram um projeto para aumentar a medida socioeducativa de menores infratores de três para cinco anos. Na quinta, levarão a proposta para a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e para o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB).
