Sem motivos para sorrir no Rio

Com segundo turno indefinido, especialistas já elencam os maiores desafios de quem sair vencedor hoje

Por ALEXANDRE MACHADO

Eduardo Paes (DEM) esteve no Centro de Duque de Caxias

Assim que o resultado das urnas no Estado do Rio confirmar quem será o novo governador, a agitação que tomou conta de eleitores entre 8h e 17h (horário de votação) vai se dividir entre a festa dos seguidores do vencedor, seja Wilson Witzel (PSC) ou Eduardo Paes (DEM), e a indagação que ficará na cabeça dos fluminenses: e agora, por onde começar?

O JORNAL DO BRASIL ouviu especialistas em algumas das principais áreas de atuação do Poder Executivo, para saber deles o que, ao menos em teoria, deve ser prioridade do novo ungido ao Palácio Guanabara. Na área de Segurança Pública, Emmanuel Rapizo, especialista do Instituto de Segurança Pública (ISP), destaca que não será possível avançar no combate à violência sem uma estrutura baseada na inteligência e uso de dados, identificando padrões de ação de grupos criminais.

Outra preocupação dos eleitores, o transporte público vai requerer muita disposição política para avançar em projetos que já são velhos conhecidos no estado, como a extensão das linhas do metrô na capital e o incremento de projetos para desafogar a Região Metropolitana, segundo Marcus Quintella, especialista em transporte e mobilidade urbana da Fundação Getulio Vargas.

Na Educação, a valorização de carreiras do ensino, com melhores salários e investimento contínuo em aperfeiçoamento técnico são o ponto de partida destacado por especialistas do Ateliê Humanidades. Na Cultura, o destaque vai para a expansão de oferta de equipamentos e atividades em todo o estado, com políticas de fomento, segundo Miguel Jost, professor da PUC-RJ.

Últimas pesquisas

Ontem, foram divulgados os números das últimas pesquisas de intenção de voto para o governo do Rio. O cenário está indefinido, com Witzel registrando nova queda consecutiva e Paes, em crescimento contínuo.

Segundo o Datafolha, o ex-juiz caiu de 56% (do levantamento de 25/10) para 53% dos votos válidos — descontados os brancos, nulos e indecisos. O ex-prefeito do Rio subiu de 44% para 47%. Há apenas nove dias, a distância entre os dois era de 22 pontos percentuais. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos, o que deixa os adversários no limite do empate técnico.

O Ibope também divulgou seus números ontem, mostrando movimentação semelhante dos candidatos: Witzel ficou com 54% dos votos válidos (eram 56%) e Paes somou 46% (contra os 44% anteriores). O levantamento foi realizado entre os dias 25 e 27; a margem de erro é de dois pontos percentuais e o nível de confiança, de 95%.

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SEGURANÇA

O Sistema Único de Segurança Pública é fundamental como método que construa estratégias e torne o uso de dados e evidências para a tomada de decisão uma regra. O nível estratégico precisa endossar o monitoramento de indicadores atrelados a metas – nenhuma política será replicada ou expandida sem a avaliação de impacto. Qualquer ação deve se basear em dados, identificando padrões e manchas criminais a fim de adequar o planejamento. Por fim, um plano de treinamento contínuo em uso de dados para que as futuras gerações de servidores da segurança estejam habituadas a tomar decisões baseadas em dados e evidências.

Emmanuel Rapizo

Especialista em políticas públicas do ISP

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EDUCAÇÃO

A nova gestão deve mirar logo na valorização salarial, com plano de carreira visando aperfeiçoamento técnico-profissional; realizar concurso para repor quadros; dispor aporte financeiro às universidades e aos institutos; retomar o financiamento à pesquisa da Faperj; ampliar a oferta de vagas com foco na população estudantil e implantar progressivamente o ensino integral. Será preciso, ainda, integrar as redes municipais de ensino; além dos pólos educacionais com centros culturais, de esporte, lazer e de produção de pensamento; investir em tecnologia e fomentar diálogo profundo das áreas do saber com foco numa educação plural.

Lindoberg Campos

Equipe do Ateliê de Humanidades

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CULTURA

A Secretaria de Cultura deve se estruturar para ampliar ações em todo o estado. Atividades e equipamentos, hoje, estão concentrados mais na capital e em Niterói. É preciso pesquisar o perfil das regiões e territorializar ações, reafirmando interesses locais. Cultura é capaz de produzir atividades econômicas e sociais duradouras. No turismo, por exemplo, investir numa agenda contínua de eventos ajudará a colocar as cidades no mapa dos viajantes, até prolongando suas estadias. Importante, também, fomentar a produção, simplificando a existência de equipamentos culturais. É fundamental, por fim, que a secretaria se concentre no estudo sobre espaços multiusos.

Miguel Jost

Professor e pesquisador da PUC-RJ

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TRANSPORTES

Entre os principais desafios para o novo governador do Rio, no setor de transporte público e mobilidade urbana estão: estender a Linha 4 do Metrô até o terminal Alvorada, na Barra. Concluir a estação Gávea da Linha 4 e a expansão da Linha 2, ligando o Estácio à Praça Quinze, passando pelo Catumbi e Praça da Cruz Vermelha. Outro ponto importante é a integração tarifária entre todos os modos de transporte público da Região Metropolitana. Precisará concluir o Arco Metropolitano, promovendo sua concessão para a iniciativa privada. O governo do estado também deve pressionar a Prefeitura do Rio a concluir o Transbrasil – BRT da Av. Brasil.

Marcus Quintella

Especialista em transporte urbano da FGV