Império abre festa dos 35 anos do Sambódromo

Temporal de sexta-feira à noite alagou Avenida Marquês de Sapucaí e ruas de diversos bairros da cidade, mas não impediu que os foliões curtissem o carnaval carioca

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Desfile da escola de samba Unidos da Ponte, válida pelo Grupo de Acesso do Carnaval RJ 2019, no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro (RJ), nesta sexta-feira (01).

O Império Serrano abre hoje, às 21h15, na Marquês de Sapucaí, o desfile das escolas de samba do Grupo Especial do carnaval 2019, com o enredo "O que é, o que é?", que traz como samba a música homônima de Gonzaguinha, e com previsão de pancadas de chuva, de acordo com o Alerta Rio, serviço meteorológico da Prefeitura do Rio. Em seguida, vêm Viradouro, com o enredo "Viraviradouro", às 22h20 ; Grande Rio, com "Quem nunca? Que atire a primeira pedra", às 23h25; Salgueiro, com "Xangô", às 00h30; Beija-flor, com "Quem não viu, vai ver as fábulas do beija-flor", à 01h35; Imperatriz Leopoldinense, com "Me dá um dinheiro aí", às 02h40; e Unidos da Tijuca, com "Cada macaco no seu galho. Ó meu pai, me dê o pão que eu não morro de fome!", às 03h45. A Rede Globo transmite a festa, que comemora os 35 anos do Sambódromo.

Amanhã, no segundo e último dia do desfile do Grupo Especial, adentram o Sambódromo São Clemente, com "E o samba, sambou", às 21h15; Vila Isabel, com "Em nome do pai, do filho e dos santos, a Vila canta a cidade de Pedro", às 22h20; Portela, com "Na Madureira moderníssima, hei sempre de ouvir cantar um sabiá", às 23h25; União da Ilha, com "A peleja poética entre Rachel e Alencar no avarandado do céu", às 00h30; Paraíso do Tuiuti, com "O salvador da Pátria", à 01h35; Mangueira, com "História para ninar gente grande", às 02h40; e Mocidade ,com "Eu sou o Tempo. Tempo é vida", às 03h45.

Abertura com atraso

O temporal de sexta-feira atrasou o início dos desfiles das escolas de samba da Série A, prejudicou a apresentação das agremiações e deixou o título deste ano em aberto. A Unidos da Ponte abriu a festa com atraso de meia hora, por volta das 23h, levando à avenida o enredo "Oferendas", que tratou das comidas dos orixás na umbanda e no candomblé. A azul e branco de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, reviveu na avenida o enredo que apresentou em 1984 e, diante das circunstâncias, fez um desfile digno.

Em seguida, a Alegria da Zona Sul, a vermelho e branco criada na comunidade do Cantagalo-Pavão-Pavãozinho, desenvolveu com dificuldades orçamentárias o enredo "Saravá, Umbanda!", em que, por meio das palavras de um Preto Velho, pregou a caridade, o amor e a fé.

Terceira a desfilar, a Acadêmicos da Rocinha criticou o racismo com o enredo "Bananas para o Preconceito" e deu destaque a líderes negros, mas desenvolveu o enredo de maneira um pouco confusa, segundo alguns especialistas em carnaval.

Na sequência, entrou a Acadêmicos de Santa Cruz, com o enredo "Ruth de Souza - Senhora Liberdade, Abre as Asas sobre Nós", em homenagem à atriz de 97 anos, que emocionou a plateia desfilando pela agremiação.

As histórias do escritor Dias Gomes foram contadas no Sambódromo pela Unidos de Padre Miguel, com o enredo "Qualquer Semelhança não Terá Sido Mera Coincidência". A escola, que no ano passado perdeu por três décimos o título para a Viradouro, se trapallhou um pouco na evolução.

A Inocentes de Belford Roxo levou para a avenida o enredo "O Frasco do Bandoleiro" e mostrou, por vezes de modo confuso, crendices sobre fortunas que teriam sido enterradas em botijas em quintais do Nordeste para escapar de saques.

A Acadêmicos do Sossego fechou o primeiro dia de desfiles com o enredo "Não se Meta com a Minha Fé. Acredito em Quem Quiser", abordando a questão da intolerância religiosa

Cordão da Bola Preta

Apesar do sábado chuvoso, uma multidão de foliões se reuniu desde cedo na manhã de ontem para o desfile do Cordão da Bola Preta, no Centro do Rio. Ao som de tradicionais marchinhas de carnaval e sambas, neste ano, o Bola Preta desfilou com a atriz Paolla Oliveira como rainha da bateria. "Desejo que a gente tenha um carnaval de paz, de alegria e de respeito. Já fui a outros blocos, mas esse é muito especial", disse a atriz, que é paulistana, em entrevista ao canal de TV por assinatura GloboNews. Além do Bola Preta desfilaram, ontem, Céu na Terra, Escangalha, Empolga às 9, Multibloco, Terreirada Cearense, Barbas, Banda de Ipanema, entre tradicionais e blocos criados na retomada do carnaval de rua do Rio, há cerca de 15 anos.

Hoje, é a vez de o bloco infantil "Que Caquinha é Essa?" se concentrar, às 10h, em frente ao Bar Paz e Amor, na Rua Garcia D'Ávila, em Ipanema, e se divertir até as 12h, para dar espaço, no mesmo local, ao bloco Que Merda É Essa?, que completa 25 anos, a partir das 13h.

O Rio terá ao todo 498 blocos nas ruas, incluindo os fins de semana anteriores e o posterior à data oficial da folia isso levando em conta os desfiles autorizados pela prefeitura. . (Com Agência Brasil e Estadão Conteúdo)