Em luta pelo Dia da Mulher

Por Celina Côrtes

Marielle

A mulherada promete fazer muito barulho hoje, Dia Internacional da Mulher. Várias organizações, coletivos e grupos pela legalização do aborto, entre outros, convocam uma grande manifestação, a partir das 16h, com concentração na Candelária, no Centro. As palavras de ordem são: "Pela vida das mulheres; Justiça por Marielle; Democracia e Direitos; Somos contra Bolsonaro e a reforma da previdência!". A força do evento foi turbinada pela vitória da Mangueira, que ganhou o carnaval de 2019 com bandeiras como a de Marielle.

Será lido um manifesto de quatro páginas na abertura e no encerramento do ato, cujo local não é revelado por razões de segurança. Como informa Anna Carolina Costa, uma das organizadoras, vinculada ao PSOL, "a manifestação deste ano é voltada à mulher trabalhadora". O evento inclui ainda batucadas feministas, poesia, dança afro, mini show, sarau, cantos indígenas e um levante pela memória e justiça por Marielle, cujo assassinato completa um ano no próximo dia 14, sem que os responsáveis sejam apontados.

O manifesto destaca o quinto lugar do Brasil no mundo como o que mais mata mulheres, e onde se concentram 40% dos casos de feminicídio da América Latina. Entre as assassinadas, 66,7% são negras; no Rio de Janeiro, uma mulher foi morta a cada 24 h nos primeiros 4 dias de 2019 e o fato de o país liderar ainda o índice de mortes de travestis e transexuais do mundo. O documento critica o combate à violência pelo governo Bolsonaro com o armamento da população. "A posse de armas, aliada ao discurso de combate à violência com mais violência, corrobora e avaliza os crimes de ódio que aumentam a barbárie machista contra a vida das mulheres", fulmina o manifesto.