Fiocruz alerta para possibilidade de epidemia de chikungunya e febre amarela, no Rio

Evento debate desafios no verão contra as doenças

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Com a chegada do verão, a Fiocruz e a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro - em parceria com o Conselho dos Secretários Municipais de Saúde (Cosems), a Associação dos Prefeitos e Municípios do Rio de Janeiro (Aemerj) e a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (SVS/MS) - alertam para a possibilidade de uma epidemia de chikungunya e para o aumento de casos de febre amarela no verão de 2018 e 2019. De janeiro até outubro deste ano, já foram notificados cerca de 37 mil casos de chikungunya no estado, enquanto ao longo de 2017, no mesmo período, foram registradas 4.425 ocorrências. Quanto à febre amarela, este ano, foram 268 casos da doença.

Para analisar o atual cenário e debater estratégias contra essas doenças, a Fiocruz, a Secretaria de Estado de Saúde, o Cosems e a Aemerj promovem o encontro Febre Amarela e Chikungunya – Desafios e Perspectivas do Verão 2018 e 2019, nesta quarta-feira (12/12), das 8h30 às 16h, no Hotel Novo Mundo, no Flamengo. O encontro tem por objetivo fortalecer a capacidade de resposta da área de saúde diante do cenário epidemiológico de chikungunya e febre amarela no Rio de Janeiro. O evento também será realizado em Salvador (BH), Fortaleza (CE), Mato Grosso do Sul (MS), Belo Horizonte (MG), Manaus (AL), Porto Velho (RO) e Teresina (PI).

Segundo dados da Secretária Estadual de Saúde, até dia 27 de novembro foram notificados16.157 casos de chikungunya na Região Metropolitana II do estado, com oito óbitos; no Norte Fluminense, 7.799; na Região da Baixada Litorânea, 1.140; e na Região Noroeste Fluminense 1.723. No município do Rio, foram registrados 8.997 casos.

“Temos que preparar o estado para enfrentar esse cenário epidemiológico. É preciso debater o que já foi feito e o que falta fazer. No caso da chikungunya, por exemplo, temos que pensar em um centro de hidratação com analgesia, em leitos em hospitais para casos graves, em especial para casos pediátricos”, observa o pesquisador e infectologista da Fiocruz, Rivaldo Venâncio da Cunha, coordenador de Vigilância em Saúde e Laboratórios de Referência da Instituição.

O seminário tem como público-alvo gestores e profissionais da área de saúde, além de pesquisadores e estudantes de graduação e pós-graduação. Todos os secretários municipais do estado foram convidados para debater estratégias em seus municípios, os quais estarão acompanhados de técnicos da área de vigilância e assistência. O encontro será dividido em duas mesas. Pela manhã, será discutido o cenário epidemiológico da febre amarela e chikungunya. Na parte da tarde, o foco será nas estratégias para o enfrentamento da epidemia.

“A chance de um mosquito infectado pelo vírus chikungunya encontrar uma pessoa sem anticorpos é gigantesca no atual cenário do Rio de Janeiro, onde a maioria da população não tem anticorpos contra essa doença”, afirmou Rivaldo Venâncio.

Para o secretário de Estado de Saúde, Sérgio Gama, o enfrentamento contra o Aedes, transmissor da dengue, zika e chikungunya e vacinação contra a febre amarela, doença transmitida pelos mosquitos Haemagogus e Sabethes é um dever de toda a sociedade.

“Ao longo dos anos o estado criou diversas estratégias para o combate ao Aedes e mais recentemente tivemos êxito evitando uma epidemia de febre amarela. Nos dois casos precisamos do apoio irrestrito da população e é isso que estamos buscando com esse evento: criar novas estratégias para mobilizar as pessoas", disse o secretário.

O seminário contará com a presença de vários gestores em saúde de todo o Estado do Rio de Janeiro e isso legitima as medidas do encontro. Para Sérgio Gama é importante “atuar fortemente” para conter o avanço do mosquito, além de convocar a população para fazer parte das medidas de controle e se imunizar contra a febre amarela com as vacinas disponíveis nos postos de saúde.

Com Agência Fiocruz