Pais relatam momentos de pânico durante invasão
O marceneiro Leonardo Bittencourt, 32 anos, que levava o casal de filhos – Michael e Juliana – ao colégio, também relembrou o inferno que diz ter passado com a família, durante o tiroteio de domingo.
– A gente nem botava a cara na porta de casa com medo de bala perdida. Só ontem saí para trabalhar, mas a mulher e as crianças ficaram trancadas em casa – contou ele, lamentando o prejuízo da família. – Por causa das aulas suspensas, minha mulher estava sem trabalhar de diarista desde de quarta-feira. Perdemos dinheiro, mas agora as coisas estão voltando ao normal.
Estado não decidiu Segundo a Secretaria municipal de Educação, cerca de 10 mil alunos estavam sem aula desde o início dos confrontos. Já a volta às escolas das cerca de 1.050
crianças da rede estadual ainda não tem data. Segundo a Secretaria estadual de Educação, a avaliação do retorno está sendo feita pelas diretoras de cada estab e l e c i m e n t o. Apesar das aulas restabelecidas na região do Alemão e da Vila Cruzeiro, a Secretaria Municipal de Educação está preocupada com os efeitos psicológicos que a guerra entre o Estado e o tráfico pode ter causado em alunos, professoras e funcionários da educação.
Ainda nesta semana, será iniciado um trabalho de acolhimento àquelas comunidades, com o apoio de equipes do Programa Interdisciplinar de Apoio às Escolas Municipais (Proinape), com psicólogos, pedagogos e assistentes sociais.
– Não podemos fazer de conta que nada aconteceu nessa região – disse a secretária Claudia Costin. – Vamos fazer esse acompanhamento porque trata-se de um trabalho psico-pedagógico voltado a desfazer bloqueios e traumas que as crianças, professores e demais funcionários da educação possam ter sofrido.
A secretária admitiu que, ontem, a frequência das crianças na volta às aulas não ficou entre baixa e média.
Ontem, Cláudia Costin já se reuniu com todas as diretoras das escolas e creches daquelas comunidades. Pela manhã, o encontro foi na Escola Municipal Afonso Várzea, em Inhaúma, no complexo do Alemão.
Desenhos O encontro foi marcado pelo hasteamento das bandeiras do Brasil, do Estado e do município do Rio de Janeiro. Segundo a secretária, as escolas da região irão promover, nos próximos dias, uma exposição de redações e desenhos.
– Os estudos dos pedagogos indicam que as crianças e jovens que passam por situações desafiadoras precisam expor o que viveram. Por isso, os nossos alunos irão desenhar ou escrever o que sentiram, de acordo com a sua faixa-etária, como fizeram os alunos do Ciep Doutor Antoine Margarinos Torres Filho, após a instalação da UPP na comunidade do Borel, na Tijuca – disse a secretária.
À tarde, no Ciep Gregório Bezerra, na Vila Cruzeiro, na Penha, Cláudia Costin apresentou o trabalho que será realizado pelo Proinape para diminuir os eleitos psicológicos dos alunos, além de professores e demais funcionários da educação.
