Índio quer Escola

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Indígenas insistem em projeto de universidade, mas prédio ocupado no Maracanã deverá ser revitalizado José Luiz de Pinho Foi-se o tempo em que índio queria apito.

Agora ele quer ser cidadão, e um bom exemplo disso, são os mais de 20 indígenas que vivem no antigo Museu do Índio, próximo ao Maracanã, e que estão decididos a transformar a área na primeira universidade indígena do Brasil, associada a um centro de artes.

Após invadirem a área do museu no dia 20 de outubro de 2006, os nativos de oito etnias passaram a se valer da decisão do antigo-proprietário do imóvel, o Duque de Saxe, que em 18 de julho de 1865, doou o espaço à União para transformá-lo num Centro de Pesquisa sobre a cultura indígena.

Em setembro de 1984, a União cedeu o imóvel à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que, em 1986, deixou-o nas mãos do Ministério da Agricultura.

– Daqui não arredamos o pé – diz Afonso Chamakiri, da tribo Apurinã, do Amazonas.

– Estive em Brasília esta semana com representantes do Ministério da Agricultura e da Conab, e estamos esperançosos de ver nosso sonho realizado.

O problema é que o antigo museu não é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan), nem pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac).

O Museu do Índio foi inaugurado em 19 de abril de 1953, no Dia do Índio, por Darcy Ribeiro, e funcionou no local até 1977.

No ano seguinte, foi transferido para a Rua das Palmeiras, em Botafogo.

– Em 1997, o Inepac fez estudos técnicos com vistas à instrução do processo para o tombamento do imóvel, mas não houve prosseguimento nas esferas superiores – explicou a assessoria da Secretaria Estadual Cultura.

A superintendência da Conab, em Brasília, informa que, com a chegada da Copa do Mundo, em 2014, o local, próximo ao Maracanã, palco da final, será revitalizado.

– As reuniões começaram na semana passada e outras virão para que se chegue a um consenso – disse a assessoria de imprensa da Conab.

A Secretaria Estadual de Turismo, Esporte e Lazer e a prefeitura informam que o espaço consta no calendário de revitalização do entorno do Maracanã, em processo de estudos.

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FIBRA – Mesmo vivendo em condições precárias, índios se mantêm firmes em sua luta.