Crítica: 'Compramos um zoológico'
Depois de Vanilla sky, Tudo acontece em Elizabethtown e do mais recente Pearl Jam Twenty, Cameron Crowe dirige um drama com pitadas de comédia, baseado em uma história real e cheio de pseudo lições de vida. Mas o novo longa Compramos um zoológico manda bem mesmo não na parte dramática, são os toques sutis de comédia que garantem o êxito da produção.
Matt Damon (Contágio) interpreta Benjamin Mee, um pai que ficou viúvo há seis meses e enfrenta dificuldades em lidar com o seu luto e o de seus filhos Rosie (Maggie Elizabeth Jones) e Dylan - nenhuma relação com Bob Dylan, segundo ele - interpretado por Colin Ford. O filho parece ter mais dificuldade em encarar a atual situação da família e vai mal na escola, faz desenhos macabros - "do submundo" - até que é expulso. Maggie Elizabeth tem destaque como a irmã mais nova, sempre agindo e dizendo o que é certo, de uma forma fofa, é claro. No meio da pressão de ser um bom pai, Benjamin acaba decidindo deixar o passado realmente passar - se demite e procura uma nova casa.
Mas o lugar perfeito para morar, que logo encanta os olhos meigos de Rosie, já é o lar de outras pessoas, ou melhor, de animais. Ainda que pareça estranho alguém comprar um zoológico e decidir recuperá-lo, é a solução que Benjamin encontra para dar um novo rumo a sua vida - lembremos aí que a história é inspirada em fatos, sobre um homem que acolheu 200 animais e comprou uma propriedade no interior dos Estados Unidos. Então, depois de convencidos que não é tão fora do comum o que se passa na telona, acompanhamos a luta da família recém chegada e a da que já está lá há um bom tempo tentando manter os animais vivos e reabrir o local para visitas. A líder do grupo é nada menos que Scarlett Johansson (Os vingadores, O homem de ferro 2), como Kelly Foster.
Infelizmente a beleza e atuação de Johansson acabam sendo desperdiçadas no longa, em que o irmão de Benjamin, Duncan (Thomas Haden Church) e Maggie Elizabeth Jones acabam tendo mais destaque. John Michael Higgins, como o malvado inspetor Walter Ferris, também cumpre bem seu papel. Quanto à Johansson, quando a atriz aparece longe de Damon se sai melhor. O problema é tentar forçar um romance entre dois personagens com pouca química. Essa necessidade em garantir o casal 20 no final acaba fazendo o longa perder alguns pontos. Até por que, o melhor casal já havia se formado muito antes.
Então, tirando os momentos melodramáticos, como quando Damon acompanha as fotos antigas de sua mulher ou mostra aos filhos como a conheceu; deixando de lado alguns merchandisings explícitos de marca de cerveja, computador, etc; adicionando uma trilha sonora bem escolhida com U2, Pearl Jam, Led Zeppelin, entre outros, não vai ter por que não aceitar o convite que Damon insistirá o filme todo: embarcar nessa aventura.
Cotação: ** (Bom)
>> Locais em que o filme está em exibição entre 24 de fevereiro e 1 de março
Barra: UCI NY 15: somente sáb e dom às 12h15.
>> Programação de Cinema completa de 24 de fevereiro a 1 de março
