Crítica: 'O último dançarino de Mao'
Sensibilidade é a palavra que acompanha as quase duas horas de O último dançarino de Mao. Baseado no best seller autobiográfico Adeus China: O último bailarino de Mao, escrito por Li Cunxin, o longa é uma adaptação magnífica de uma história real. O diretor Bruce Beresford traça a trajetória de um chinês de 11 anos (Wen Bin Huang) que é levado de seu vilarejo para estudar em Pequim, na escola de dança Madame Mao.
Anos depois, já interpretado por Chengwu Guo, consegue entrar para a Companhia Houston Ballet, no Texas. O caminho do jovem até a companhia é mostrado de forma emocionante e longe do melodrama, desde os seus primeiros passos errados à superação de obstáculos. Já nos Estados Unidos, Li Cunxin (Chi Cao) apaixona-se por uma bailarina e toma a decisão de permanecer no país. Porém, a escolha gera um conflito diplomático entre nações. Diante da pressão do comunismo chinês, a permissão de ficar nos EUA pode separar Li de sua família para sempre.
Premiado como melhor filme na 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e no Australian Film Institute, em que ganhou também pela trilha sonora, O último dançarino de Mao encantou o público no Festival de Cinema do Rio e deve fazer o mesmo no circuito.
Com uma belíssima fotografia e uma condução excelente, quase no ritmo dos ousados passos de balé, O último dançarino de Mao encanta fundindo períodos diferentes do tempo de forma bem trabalhada. Christopher Gordon como o professor americano aparece bem e os três atores que interpretam Li também.
Na esperança de rever sua família uma vez mais Li diz "Quando danço, danço para eles", merecendo aplausos por sua dança e interpretação. E o filme pela acertadíssima adaptação de uma história emocionante e com uma trilha de tirar o fôlego.
Cotação: *** (Ótimo)
>> Locais em que o filme está em exibição entre 10 e 16 de fevereiro
Zona Sul: Cine Joia: 19h (exceto 2a).
