Crítica: 'Os nomes do amor'
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O que esperar de um filme em que a protagonista fará uso de sexo para convencer seus adversários políticos de direita a mudarem de opinião? Sem dúvida, Os nomes do amor traz uma trama bastante inusitada e, com um elenco excelente, brinca com temas sérios.
Bahia (Sara Forestier), árabe naturalizada francesa, é uma esquerdista fervorosa que decidiu seguir à risca o lema "Faça amor, não faça guerra". Para convercer inimigos de direita a mudarem de opinião, os leva para a cama.
Desajeitada, engraçada e sem noção, Bahia garante 90% das risadas no longa. Apesar de episódios bastante inusitados - como deixar o companheiro na fila do mercado e sair com pressa de casa esquecendo de se vestir (?), - toda a trama é tão cômica que esses detalhes podem passar desapercebidos. Não a toa, Sara Forestier ganhou o prêmio César 2011 de melhor atriz.
O roteiro de Baya Kasmi e de Michel Leclerc (diretor do longa) também conquistou o prêmio. Diálogos que tornam a política um tema cômico, que fazem rir da desgraça alheia e refletir sobre passado e presente compõem a trama.
No título original Le nom des genes (Os nomes das pessoas), fica mais clara a relação de identidade abordada na comédia. Bahia logo avisa que ninguém no país tem o mesmo nome que ela, enquanto Arthur (Jacques Gamblin - também ótimo no papel) parece estar na eterna busca por uma identidade pessoal e familiar. Seu nome é um dos mais comuns na França, o mesmo até que o de uma marca de eletrodomésticos.
Talvez a relação do nome de Arthur com a marca explique a obsessão de seus pais com produtos de utilidade do lar. Aliás, a relação dele com a família está longe de ser boa. Seu pai e sua mãe ignoram tudo relacionado à política, e preferem evitar palavras "tabus" - judeu, holocausto, Auschwitz... - tudo que traga à tona o passado dos avós de Arthur, desconhecido por ele.
Apesar do longa ter momentos dramáticos, principalmente no que tange a esse passado, o que predomina são as risadas. Nunca votar em Sarkozy foi tão engraçado ou um jantar em família entre liberais (pais de Bahia) e conservadores (pais de Arthur).
Em uma mistura cômica (!!!) de anti-semitismo, pedofilia, gripe aviária, xenofobia, obsolescência tecnológica, eleições presidenciais, guerras e política de imigração Os nomes do amor, também selecionado para a Semana da Crítica do Festival de Cannes, traz com grande mérito e aplausos o cinema francês para o Festival.
Para aliviar o peso da lembrança de mortes do judeus, câmaras de gás e seus nomes gravados em memoriais, um último pedido: "Em vez de lembrar quem morreu colocando placas nas ruas, por que não lembrar a primeira vez em que a pessoa comeu chantily?" Parece meio sem-noção, como vários episódios do filme, mas pode fazer sentido no final. Cabe ao público conferir o porquê.
Cotação: *** (Ótimo)
>> Locais em que o filme está em exibição entre 10 e 16 de fevereiro
Zona Sul: Cine Joia: 17h (exceto 2a).
