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Crítica: 'Meu país'

Por Filipe Quintans

O drama do expatriado rico vivendo na Europa, que precisa voltar para consertar as besteiras do irmão caçula e do pai morto. Em atuação sóbria e cuidadosamente controlada de Rodrigo Santoro, Meu país, dirigido e co-escrito por André Ristum, não consegue disfarçar em nenhum momento que há muito mais acontecendo dentro da cabeça dos personagens do que na tela. 

Num cinema enjaulado nos próprios temas como o brasileiro, esse é um forte indicativo de que o longa, não tarda, conhecerá o maravilhoso mundo do DVD.

Aparentemente confiante que na expressão de seus atores estariam sinais claros de culpa, remorso, afeto e fraternidade, Ristum falha clamorosamente. Cauã Reymond, o caçula inconsequente, herdeiro de uma avalanche de dívidas (boa parte contraída pelo próprio, jogando) está anódino. 

Débora Falabella, a irmã bastarda, internada numa clínica psiquiátrica e somente descoberta depois da morte do pai, está caricata: se enrola toda numa performance que mistura Christy Brown (de Meu pé esquerdo), Nell e Tonho da Lua.

Resta a Santoro carregar o estandarte e por consequência ofuscar todo o resto. Sensibilizado pelo estado mental da irmã, seu personagem decide ficar no país e resgatar o que sobrou da família, o que envolve deixar que sua esposa retorne à Itália e pagar as dívidas de jogo do irmão ameaçado de morte.

A experiência internacional conquistada de maneira inteligente, escolhendo sabiamente o que fazer e com quem trabalhar (diretores como Mamet e Soderbergh, por exemplo) de fato colocaram Rodrigo Santoro um degrau acima dos demais compatriotas. Meu país está inegavelmente atrelado à sua performance e dela depende até subirem os créditos, numa sofisticada versão do ditado "Só tem tu, vai tu mesmo". E ainda bem que tinha.

Cotação: * (Regular)