Crítica - 'Carros 2'
Um dos méritos de Carros, o primeiro filme estrelado pelos simpáticos veículos criados por John Lasseter, é a simpatia de seus personagens, que nos fazem esquecer que eles têm quatro rodas e não são de carne e osso. Esse, aliás, parece ser um dos legados do criador dos inesquecíveis - e também não humanos - Woody e Buzz Lightyear, da série Toy Story.
Assim, essa sequência tem esse mesmo DNA de qualidade, só que turbinado com mais ação. Na história, o herói das pistas Relâmpago McQueen aceita o desafio de participar de um circuito internacional de corridas promovido por um fabricante de combustível alternativo ao petróleo. Nos bastidores da competição, uma organização criminosa planeja sabotar essa mudança e, para injetar mais óleo na trama, seu melhor amigo Mate, o velho caminhão guincho, acaba sendo confundido com um espião.
Abastecido com elementos de suspense, o roteiro acelera fundo nas inúmeras citações, que continuarão satisfazendo os adultos ligados em automóveis, mas que se distancia um pouco dos pequeninos, ainda sem carteira.
Mesmo assim, isso não significa dizer que a animação vá desanimar a turminha. Pelo contrário, não será difícil vê-los rindo com as confusões do roceiro Mate, que bota o filme na caçamba. Ele protagoniza várias sequências engraçadas, com seu sotaque carregado, se enrolando com os disfarces e a tecnologia disponibilizada pelos agentes secretos Finn McMissile e Holley Caixa de Brita, dois bons novos personagens.
É exatamente o destaque dado aos coadjuvantes, aliás, que faz a diferença dessa produção em relação às outras do estúdio. E, por mais que tenham colocado questões sobre a amizade (especialidade do estúdio) e uma crítica canhestra aos substitutos da gasolina, em termos de conteúdo, o longa dá uma derrapada.
Sonorizado com as composições do premiado Michael Giacchino (Up - Altas aventuras), Carros 2 larga bem, mantém o giro alto, está longe de arranhar a trajetória de seus realizadores, mas não será lembrado para sempre, como faz questão de frisar o enferrujado caminhão sobre seus amassados. Tem energia de sobra, mas o tanque continua vazio. Cotação: *** (Ótimo)
