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Capitã do handebol faz balanço e mira mundial em casa

Por Emily Canto Nunes

 Se dependesse das atletas do handebol feminino, a festa da vitória nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara não teria fim. Tetracampeãs da competição, elas comemoravam a conquista da vaga nas Olimpíadas de Londres. O foco das jogadoras agora, no entanto, não são os Jogos Olímpicos, mas sim a Copa do Mundo de handebol que será disputada no Brasil, em São Paulo, em dezembro.

Capitã da seleção vencedora, Fabiana Diniz, mais conhecida como Dara, fez um balanço do atual momento de sua equipe, que em breve deve ser reunir novamente para disputar o Mundial no Brasil. "Daqui estamos voltando para os clubes, serão três semanas cada uma focando nas suas competições, e dentro de três semanas a gente se reúne de novo para fechar para o mundial. Vamos com um grupo mais amplo, vai vir mais gente até o grupo ser fechado, mas agora o objetivo é o mundial em casa", explicou.

Ao contrário do Pan, em que as brasileiras tiveram que lidar com a forte rivalidade com as argentinas, Dara afirmou que no mundial existirá uma quantidade maior de grandes rivais.

"Temos grandes rivais no mundial, mas tem rivalidade, é mais questão de competência mesmo, porque o nível europeu é bem alto e são os que a gente tem que bater. Nesse mundial vamos ter uma Rússia, uma Noruega, uma Dinamarca que vão vir fortes, e serão fortes candidatos ao título ao nosso lado. Vamos jogar em casa, não podemos esquecer disso", afirmou Dara ao Terra.

A capitã concorda que na América Latina o Brasil não encontra tantos rivais à altura, mas sabe também que no mundial não será assim. Por isso, segundo Fabiana, o time se pressionou bastante para manter a concentração e o nível durante o Pan.

"A gente sabe que esse não é o nosso nível, que vamos encontrar adversários muito mais fortes no mundial, que os placares não vão ser assim, 50 a 10 (contra os Estados Unidos), que não vamos terminar o primeiro tempo recebendo apenas 5 gols (da Argentina), então é importante a gente tentar manter o nível de concentração muito alto e tentar ampliar, não errar, nosso objetivo maior é nos concentrar é nós mesmas, o que é muito difícil".

O trabalho de Morten Soubak também foi elogiado por Dara, que se diz cúmplice do técnico dinamarquês.

"Não tenho que reclamar, é um técnico que dá muita liberdade para as jogadoras, permite nossa criatividade, permite nosso estilo brasileiro de jogar, mesmo ele sendo dinamarquês. Isso é muito importante, porque a gente tem um estilo, não adianta vir um técnico de fora e querer aplicar uma conduta, uma escola diferente da nossa. Ele aplica técnica sem que a gente perca nossa criatividade, nossa alegria de jogar. A gente tá conseguindo responder, esse é o principal aliado dele em relação ao grupo, deixar o grupo muito solto, muito a vontade para jogar, para ser criativo, ser inteligente", elogiou a jogadora.

Sobre o reconhecimento do esporte no Brasil, uma das grandes lutas da modalidade segundo várias jogadoras e também jogadores, Fabiana está confiante de que o mundial no final do ano pode dar um empurrãozinho.

"Já melhorou muito, mas ainda falta, sempre falta, acho que agora com nosso mundial em casa vai ser o empurrãozinho que faltava para a gente estourar. Para as pessoas conheceram a gente, acompanharem a gente, e dar o apoio necessário", disse a atleta que deve torcer na noite desta segunda-feira para a seleção masculina conquistar o tri também em cima da Argentina. "Vamos acompanhar o jogo dos meninos para a festa ser completa", concluiu.

A Seleção Brasileira de handebol masculino entra em quadra às 23h (de Brasília), para disputar a medalha de ouro contra a Argentina e tentar o tricampeonato.