Bolsonaro critica TSE e ausência de Lula e fala em indicação ideológica ao STF
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Matheus de Souza e Marcella Villar - Na chegada para a sabatina promovida pelo Estadão em pool com outros veículos, o presidente Jair Bolsonaro (PL) criticou há pouco a ausência de seu adversário, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), voltou a reclamar de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e reafirmou que, caso reeleito, irá buscar um perfil alinhado à pauta de costumes para indicar a Corte.
O presidente não esperou ser inquirido para criticar seu adversário, ao chegar à sabatina, que deveria ter sido um debate. “Lamento o outro lado não comparecer, eu vou ficar exposto a perguntas, espero poder corresponder à altura, temos muito o que falar”, disse o presidente. “O outro lado se esconde, criam fake news”, continuou, voltando a afirmar que o ministro da Economia, Paulo Guedes, se comprometeu com um aumento real do salário mínimo no ano que vem.
Sobre a decisão Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que aprovou, por unanimidade, nesta quinta-feira, 20, uma resolução que amplia os poderes do colegiado para determinar a remoção de notícias que considerar falsas e acelerar o prazo para que a ordem seja cumprida, o presidente declarou que se vive o "reflexo de uma ditadura”.
“Olha, a imprensa sempre dizia que eu iria mergulhar o País em um regime de exceção, e vocês notam agora que longe disso”, disse o chefe do Executivo.
Supremo Tribunal Federal
No caso de ser reeleito, o presidente afirmou que vai procurar pessoas com os valores iguais aos seus para indicar à Corte. “Jamais indicaria para lá um abortista, ou alguém que seja favorável à ideologia de gênero ou a liberação de drogas”, disse.
'É preciso se curvar ao Legislativo'
Em uma nova tentativa de se desvincular da criação do orçamento secreto, o presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a declarar nesta noite, durante sabatina promovida pelo Estadão em pool com outros veículos, que tentou vetar a medida, mas que foi derrotado pelo Legislativo. O presidente também disse que a ferramenta foi criada como um resultado da sua política de indicar perfis técnicos para ministérios e não fazer indicações baseadas em alianças, o que teria enfraquecido o Congresso. “Às vezes, é preciso se curvar ao Legislativo”, disse.
A primeira tentativa de viabilizar o orçamento secreto foi realmente do Congresso, e Bolsonaro a vetou. No entanto, o presidente recuou do próprio veto logo depois e encaminhou para o Congresso o texto que criou o orçamento secreto. O projeto é assinado por Bolsonaro e a exposição de motivos que o justifica leva a assinatura do general Luiz Eduardo Ramos, então ministro da Secretaria de Governo.
O presidente relativizou ao afirmar que gostaria de ter o controle do Orçamento, mas que abriu mão do poder, e que o Legislativo pode ter uma gerência melhor da peça.
Bolsonaro também declarou que em um possível novo mandato, ele pretende manter o ministro da Economia, Paulo Guedes, e todos os ministros que queiram continuar em seu governo. Mesmo declarando confiar “plenamente” no economista, Bolsonaro destacou que nas questões “mais estratégicas" da economia, a palavra final é sua.
'A opinião do vice é dele', diz Bolsonaro sobre Mourão
O presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou que, mesmo com suas constantes críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ele não pretende pedir o impeachment do magistrado. Sobre o tema, o presidente distanciou-se da opinião de seu vice, Hamilton Mourão (Republicanos), eleito senador pelo Rio Grande do Sul, que nesta sexta-feira (21) afirmou, em entrevista ao Estadão/Broadcast Político, ter intenção de discutir o impeachment de ministros do STF no próximo ano. “A opinião do vice é dele", disse o presidente.
Bolsonaro também criticou, durante sabatina promovida pelo Estadão em pool com outros veículos, as decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em relação à emissora Jovem Pan. A Corte impôs à rádio a concessão de direitos de resposta ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a “abstenção” de se manifestar sobre temas cuja abordagem foi classificada como “ofensiva” pela defesa do petista.
As decisões do TSE impõem censura prévia à emissora e ferem direitos e garantias fundamentais previstos na Constituição Federal, afirmam especialistas ouvidos pelo Estadão.
“A preocupação deveria estar sobre o [ex-presidente] Luiz Inácio Lula da Silva. Nunca tomei nenhuma medida de força contra qualquer repórter no Brasil, tentar desmonetizar a página de quem quer que seja, mesmo quando prejudicado, não busquei atingir o que é a alma da democracia, que é a liberdade de imprensa”, afirmou o chefe do Executivo.
