Psol faz denúncia e leva falas de Mourão sobre tortura à Corte Interamericana de Direitos Humanos
De acordo com a parlamentar do partido, Sâmia Bomfim, as afirmações do general minimizam a importância dos áudios e zombam das histórias de pessoas torturadas e mortas na época da ditadura
O vice-presidente Hamilton Mourão fez algumas declarações, na segunda (18), em tom de ironia, sobre os áudios de militares em sessões do Superior Tribunal Militar (STM) dialogando sobre torturas praticadas à época da ditadura militar.
nesta quarta (20), a bancada do Psol na Câmara dos Deputados fez uma denúncia à presidência da Corte Interamericana de Direitos Humanos sobre as falas do vice-presidente.
A líder da bancada do Psol na Câmara, deputada Sâmia Bomfim, diz que as afirmações de Mourão são "de embrulhar o estômago" e minimizam a importância dos áudios.
"Esses negacionistas podem ladrar, mas está mais uma vez provado que houve muita violência no período cruel da ditadura no Brasil. Não podemos aceitar que zombem da triste história de pessoas torturadas e mortas", afirma.
Questionado por jornalistas sobre o teor das gravações, o general disse não haver o que apurar sobre as violações cometidas durante o golpe. "Apurar o quê? Os caras já morreram tudo, pô. Vai trazer os caras do túmulo de volta lá"?, respondeu, sorrindo.
O partido pede que as declarações de Mourão sejam incluídas em ação que acusa o governo Bolsonaro de não cumprir sentença que condenou o país por violações de direitos no caso da Guerrilha do Araguaia.
Em outubro do ano passado, Mourão foi incluído em outra denúncia após falar, em entrevista ao portal de notícias alemão "Deutsche Welle", que o torturador e coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra era "um homem que respeitava os direitos humanos de seus subordinados".
Em 2014, a Comissão Nacional da Verdade (CNV) listou 191 mortos e o desaparecimento de 210 pessoas. Outros 33 desaparecidos tiveram seus corpos localizados posteriormente, num total de 434 pessoas. (com agência Sputnik Brasil)
