Qualquer esperança real

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Por TARCISIO PADILHA JUNIOR

Faz-se mister um grande esforço
de nossa parte para compreender
                                                                           Fernand Braudel (1969)

 

Na sociedade organizada em rede, proporções relativas de segurança e liberdade mudam com desvios frequentes.

Qualquer esperança real de melhoria compartilhada da existência é de fato exercida num contexto de velocidade. Economia orientada para consumo em larga escala, da posse para o descarte.

Governante escolhido através de eleição livre, a população espera que seja capaz de melhorar a vida das pessoas.

Valorização da dignidade e liberdade humanas no centro de teorias de direitos humanos, tal como da democracia, possibilita, realmente, promover aquilo que por vezes se chama bem comum.

Não se pode compreender a vida social, política e cultural da sociedade brasileira sem as raízes judaicas e cristãs.

Alguns traços persistem nas instituições, no direito, nos costumes, nas mentalidades, no imaginário, na paisagem, geográfica e humana, como expressão de uma tradição que remonta a séculos.

Uma sociedade consciente de si é atravessada por imaginário social que pode trazer exaltações, devaneios, medos.

Nesta reta final do segundo turno da eleição presidencial, estamos assistindo à tentativa de controlar o imaginário. Imaginário capturado pelo reiterado discurso político do "nós" contra "eles".

O pluralismo de ideias e proposições supõe que a exigência de verdade esteja sempre presente e jamais satisfeita.

Engenheiro, é autor de "Por Inteiro" (Multifoco, 2019)