A deputada poliglota
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Polêmica, Sandra Cavalcanti (1927-1922), eleita (ficou em sexto lugar) em outubro de 1960, pela extinta UDN de Carlos Lacerda, para a Assembleia Legislativa do recém-inaugurado Estado da Guanabara (inaugurado depois da mudança do Distrito Federal para Brasília, em 1960), foi uma das poucas políticas a dominar, ao mesmo tempo, o alemão, o francês, o espanhol, o italiano, o grego e o latim.
Nascida em Belém do Pará, em 1927, Sandra Cavalcanti morreu recentemente de parada cardíaca, na casa onde morou durante algumas décadas, na Rua Peri, no Jardim Botânico.
Muito disciplinada, ela não tinha problemas de saúde.
Professora de formação, Sandra entrou profissionalmente para a política, em 1954, quando elegeu-se vereadora pela extinta UDN. Naquela época, ela já tinha Carlos Lacerda (ele era deputado federal pela UDN) como seu líder.
Foi autora do projeto de lei que deu ao imóvel da Câmara Municipal do Rio de Janeiro o nome de Palácio Pedro Ernesto.
Nas eleições que levaram o jornalista e advogado Carlos Lacerda (crítico feroz do getulismo, do juscelinismo, do janguismo e do brizolismo) ao Palácio Guanabara, em 1960, llideraram a lista de mais votados os ex-,deputados estaduais Amaral Neto (UDN), Aliomar Baleeiro( UDN), Themistocles Cavalcanti (UDN ), Gonzaga da Gama (PSD), Afonso Arinos Filho (UDN), que ficaram na frente de Sandra, sexta colocada.
Os históricos Raul Brunini (UDN ), Lutero Vargas (PTB de Getúlio e Jango), Lígia Lessa Bastos (UDN), Hércules Corrêa (PTB), Artur da Tavola (PTN), Adalgisa Neri (PSB), entre outros, também entraram nesse pleito de 1960.
Sandra usou o número 179 de campanha, em 1960. Teve o apoio de mulheres que defendiam o pensamento udenista, como a escritora Raquel de Queiroz.
A duração do mandato de Sandra como deputada estadual foi curta. Ela licenciou-se do mandato, a pedido de Carlos Lacerda, para ocupar a Secretaria de Serviços Sociais do Estado da Guanabara.
No cargo, foi acusada pela oposição de remover as favelas e, também, de responsabilidade pelo afogamento de mendigos no rio da Guarda.
Sandra defendeu-se das acusações até o final de sua vida. Dizia que as acusações infundadas partiram de comunistas, esquerdistas e de brizolistas. A deputada e professora tinha horror a Leonel Brizola, por causa dessas acusações (Leonel Brizola, que governou o Rio Grande do Sul entre 1958 e 1962, transferiu o domicílio eleitoral para o Estado da Guanabara e elegeu -se pelo PTB, em 1962, como o deputado federal mais votado).
Brizola foi o principal líder de oposição ao governo de Carlos Lacerda.
A convite do ex-presidente Jânio Quadros, que sucedeu Juscelino Kubitschek (Jânio foi eleito, pela UDN, em outubro de 1960, tomou posse em janeiro de 1961 e renunciou em agosto, no mesmo ano), Sandra Cavalcanti chefiou (em 1961) a delegação do Brasil no Congresso de Educação Primária, em Genebra, na Suíça.
Quando os militares depuseram João Goulart, em 1964, a deputada Sandra foi nomeada presidente do Banco Nacional Habitação (BNH).
Nos anos 70, ela filiou-se à Arena (partido que defendia o regime militar). E, em 1974, voltou a ser deputada estadual (fez dobradinha com Amaral Neto, deputado federal).
Depois que Lacerda morreu, em 1977, tentou uma vaga no Senado, em 1978, mas foi derrotada por Nelson Carneiro, do MDB.
Em 1982, Sandra concorreu ao governo do Rio de Janeiro pelo PTB, legenda que ficou em poder de Ivete Vargas (sobrinha de Getúlio e opositora de Brizola) .
Eleito governador do Rio de Janeiro pelo PDT, sigla que criou para abrigar os trabalhistas, Brizola venceu e Sandra ficou em quarto lugar.
Passada a derrota para o ex-governador Brizola, em 1982, Sandra conseguiu se eleger deputada federal constituinte, pelo PFL, em 1986.
Defensora do parlamentarismo, deu apoio a Mario Covas, nas eleições presidenciais de 1989. Reelegeu-se para a Câmara Federal, em 1990. Em 1992 apoiou a abertura de "impeachment" contra Fernando Collor, e a campanha de César Maia à prefeitura do Rio pelo PMDB.
Em 1995, assumiu, a convite de César Maia, a Secretaria Extraordinária de Projetos Especiais. E, em 1997, coordenou a visita do Papa João Paulo II ao Rio de Janeiro.
Botafoguense, admirava Garrincha. Uma de suas irmãs, Helena, freira, fundou a Ordem Nossa Senhora de Belém, em Jacarepaguá.
Mauro Magalhães. Ex-deputado e empresário.
