A valorização do presente

Por TARCISIO PADILHA JUNIOR

Concílio Vaticano II reconheceu solenemente que cada grande religião é "portadora de valores espirituais, morais e socioculturais".

Religiões impedem que homens e mulheres se fechem nas cadeias da necessidade; dão acesso a realidade sobre a qual nenhum poder humano tem controle, realmente constituem um refúgio contra o intolerável que ajudam a combater.

Deus manifesta seu poder no amor misericordioso: este se impõe tão pouco que aceita ser rejeitado e desfigurado. Transcendência que não irrompe à força na história, propõe-se ao outro, cúmulo do respeito pela própria liberdade humana.

"Chega um ponto em que você precisa ser compreendido, cuidado, curado, ser perdoado, para retomar o caminho", diz o papa Francisco.

Estamos perante uma concepção que põe efetivamente no centro a responsabilidade de homens e mulheres. O que acontece não depende de um destino cego nem dos caprichos dos deuses, e sim daquilo que homens e mulheres fazem.

Liberdade que assusta cada um de nós, porque ninguém sabe até onde essa liberdade no Espírito pode realmente conduzi-lo.

A valorização do presente, enquanto portador do porvir, essencialmente não pode fazer-se sem a valorização do indivíduo.

Engenheiro, é autor de "Por Inteiro" (Multifoco, 2019)