Em encontro com PIB brasileiro, pré-candidatos rezam cartilha do empresariado

Seis pré-candidatos participaram de sabatina. Único vaiado foi Ciro Gomes

Por EDLA LULA, edla.lula@jb.com.br

Em encontro cordial ontem com o PIB brasileiro, seis pré-candidatos à Presidência da República rezaram a cartilha do empresariado, ao dar respostas que o setor queria ouvir. Promovida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a sabatina, no Centro Internacional de Convenções do Brasil, em Brasília, não contou com a presença de representantes do DEM, do PT, do PCdoB e do Psol.

O único convidado que, num certo momento, deu tom destoante foi o Ciro Gomes (PDT), quando indagado sobre a reforma trabalhista. Ele foi vaiado ao dizer que prometeu aos sindicatos “trazer a bola de volta para o meio de campo”, indicando que pretende rediscutir o tema com empregados e empregadores. Com o seu característico destempero, o ex-governador do Ceará respondeu às vaias: “Vai ser assim. Se quiserem um presidente fraco, escolham um desses que conversaram fiado aqui para vocês. É assim que vai ser e ponto final”.

Pré-candidato pelo PDT, Ciro negocia aliança com o Solidariedade, partido ligado à Força Sindical. “Precisamos substituir esta selvageria a que demos o nome de reforma trabalhista por uma verdadeira reforma trabalhista”, disse. 

Fora as vaias ao pedetista, o “Diálogo da Indústria com os candidatos à Presidência da República” pareceu mais uma conversa entre compadres, em que os postulantes falaram genericamente de temas já esperados pelo setor e eram aplaudidos.

Primeiro a falar, Geraldo Alckmin (PSDB) prometeu reduzir o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, seguindo a receita de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. “Vou reduzir o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, o imposto corporativo. Nos Estados Unidos o presidente Trump reduziu o imposto corporativo”. Segundo o pré-candidato, a redução do imposto para as empresas acaba por beneficiar “dona Maria e seu João com preços baixos”. 

Quem também citou o presidente americano foi o ultraconservador Jair Bolsonaro. “Queremos dar a sinalização de que nós podemos fazer o Brasil grande”, disse ele, repetindo a promessa feita por Trump ao longo de sua campanha, em 2016, de “fazer a América grande outra vez”.

Calçado de humildade, Bolsonaro reconheceu que economia não é a sua especialidade. “A gente não precisa entender de tudo”, disse o candidato do PSL, citando o exemplo do técnico de futebol, que não joga, mas dá o comando para os jogadores. “Quem botou o Brasil na situação caótica senão os economistas?”, indagou. Ele prometeu fundir o Ministério da Cultura com o Meio Ambiente para acabar com o entrave das licenças ambientais.

Marina Silva também usou a alegoria do futebol ao falar da sua proposta de governo. “O Brasil está na situação em que está porque foram tomadas decisões políticas equivocadas. É preciso adotar decisões políticas onde o Estado apenas fiscalizador e apenas provedor seja também mobilizador, como o treinador do futebol”.

Henrique Meirelles atribuiu à sua atuação o bom desempenho da economia brasileira tanto no governo Lula, quando foi presidente do Banco Central, quanto no governo Temer, enquanto ministro da Fazenda. Ele acredita que a propaganda de rádio e TV mostrará ao eleitor que hoje votaria em Lula que na verdade ele foi responsável pelo bom momento que a economia passou. “As pessoas vão saber que o responsável por aquela época fui eu e não um candidato qualquer apoiado por Lula”.

Álvaro Dias, do Podemos, prometeu fazer uma ampla reforma, que inclui o Poder Judiciário. Em seu entender, o atual formato do STF abre espaço para a politização das decisões jurídicas “Há a suspeição de que há interferência política, de que a interpretação da legislação atende a circunstâncias e interesses localizados e não há como negar que isso é verdadeiro”