Temer ainda insiste com candidatura

Por EDLA LULA, edla.lula@jb.com.br

O presidente Michel Temer seguirá orientação de assessores mais diretos e manterá em suspenso a decisão de ser ou não candidato à reeleição na disputa deste ano. Embora  analistas e até correligionários apontem que Temer não terá chance, o MDB caminhará até julho com a incógnita entre lançar o seu nome, o de Meirelles ou apoiar uma chapa de centro-direita. “O presidente é pré-candidato. Hoje ele mantém a mesma posição que adota desde o início do ano: está avaliando a conveniência de lançar-se ou não, mas ele não descartou”, diz um assessor do Palácio do Planalto. 

Em entrevistas recentes, Temer tem indicado a possibilidade de abrir mão de sua candidatura em favor da unidade dos partidos de centro-direita. Ele também tem conversado com partidos que compõem a base aliada ao governo e buscado uma reaproximação com partidos com os quais andava estremecido, como o PSDB. “São diálogos comuns quando se trata de uma campanha eleitoral e de um partido com a dimensão do MDB. Mas no partido não é pequena a porção que apoia a sua candidatura”, diz uma fonte.

Entre os que convencem Temer a não desistir da candidatura estão o ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, e o seu marqueteiro, Elsinho Mouco. Uma das estratégias para manter acesa a chama da reeleição é a celebração dos dois anos de sua gestão. Na próxima terça-feira, o presidente reunirá ministros e ex-ministros para fazer um balanço do período. A ideia é apontar que ele foi capaz de fazer “muito em pouco tempo”. 

Não apenas os feitos na área da economia serão mostrados. O Bolsa Família, principal bandeira do governo petista, será uma das principais transparências a serem apresentadas. Temer vai demonstrar que o Bolsa Família alcançou recordes desde que foi lançado, e que o seu governo conseguiu  os menores índices de inflação e a menor taxa básica de juros. Também mostrará programas nas áreas de meio ambiente e segurança pública, como a intervenção federal no Rio de Janeiro. 

Entre os ex-ministros mais presentes, estará o também pré-candidato Henrique Meirelles, que tem feito dobradinha com o presidente nas exposições Brasil afora para falar de como colaborou com as alegadas melhorias enquanto era responsável pela pasta da Fazenda. Esta semana, na abertura do Congresso da Associação Brasileira de Supermercados (Apas), os dois falaram do legado da gestão que se encerra este ano. Enquanto Meirelles disse, em seu discurso, que o governo fez em dois anos o que deveria ter sido feito em oito, Temer foi além: “com toda a modéstia de lado, eu acho que em dois anos fizemos o que se esperava em 20 anos”, disse, numa provocação a petistas e tucanos. 

Enquanto isso, o MDB analisa a possibilidade de compor com outros partidos, ou na mesma chapa ou com alianças nas campanhas regionais. Na impossibilidade de manter candidato próprio, o partido busca ao menos ampliar as bancadas federais e ocupar cadeiras nos governos regionais. “Estar ao lado do MDB na campanha presidencial não é um desejo dos partidos. No plano estadual, os acordos são mais viáveis”, avalia o cientista político David Fleisher. 

Sabendo disso, o candidato tucano a presidente, Geraldo Alckmin, acenou com a possibilidade de aliança, mas fez uma série de exigências.  Além ser cabeça de chapa, ele quer uma espécie de “carta branca” nos palanques estaduais. Temer não se sente confortável em sua relação com o ex-governador de São Paulo que, como vários outros pré-candidatos, não quer associar o seu nome ao presidente, que não consegue ultrapassar os 2% nas intenções de voto. 

Michel Temer assumiu a Presidência em 12 de maio de 2016, quando Dilma Rousseff foi afastada do cargo em um processo de impeachment. Além da reunião ministerial da terça-feira, os dois anos de governo estão sendo celebrados com campanha publicitária mostrando as chamadas boas ações.