Oi: BB, Caixa e BNDES pedem nova suspensão para que mudanças sejam redigidas

Assembleia de credores analisa proposta de recuperação judicial da empresa

Por

Após a suspensão por duas horas e meia para que fossem feitas análises e ajustes do plano de recuperação judicial da Oi, representantes do Banco do Brasil, Caixa e BNDES pediram, por volta das 19h30 da noite desta terça-feira (19), mais duas horas para que as mudanças acertadas fossem redigidas. O presidente da mesa, Arnold Wald, concedeu. Com isso, a assembleia, realizada no Riocentro, Zona Oeste do Rio, continua suspensa temporariamente.

Júlio Bertoni, representante do BB, destacou que o intuito da nova prorrogação é "garantir uma votação adequada". Já o representante do BNDES, Marcelo Rangel, frisou:  "Estamos trabalhando arduamente na redação e de fato essas duas horas são para tentarmos concluir". O representante da Caixa, Armando Borges, também reforçou a importância da nova suspensão.

Mais cedo, Bertoni havia destacado a intenção de "apoiar um plano viável". "É um plano complexo. Não é trivial. Estávamos com todos os esforços nessa madrugada para compreender o plano. E não conseguimos exaurir todos os pontos. Pedimos mudanças em alguns aspectos do plano a exemplo do BNDES e alguns outros credores. Gostaria de propor à Oi e à presidente da mesa da Assembleia uma suspensão dos trabalhos por três horas em nome do Banco do Brasil para analisar as modificações do plano e ter uma análise mais segura..

>> Credores analisam proposta de recuperação judicial da Oi

"Há um esforço dos bancos públicos para viabilizar o plano. Esse é um sentimento comum até pela importância social da Oi. Até agora não esgotamos todas as análises. A Caixa já enviou suas propostas para a Oi. Vamos precisar de mais tempo para se chegar a um denominador comum. Pedimos a suspensão por um período de três horas", solicitou o representante da Caixa, Armando Borges.

O advogado Giuliano Colombo, responsável pelo grupo de bondholders, liderado pela Moelis, pediu ajustes "mecânicos" no plano. "É preciso aumentar a segurança jurídica. Queremos ajustes mecânicos. O plano trata da venda de ativos, mas temos que saber o tempo em que isso vai ocorrer. É preciso mais esclarecimento sobre sobre a conversão dos bonds em ações. A governança corporativa é um ponto sensível. Houve disputas em torno disso e é essencial regramento claro e forte no plano para saber como será isso até o aumento de capital. Essas regras precisam ficar estabelecidas agora", disse.

BNDES quer aparar "arestas"

O representante do BNDES na assembleia, Marcelo Rangel, afirmou que há "arestas" a serem acertadas. "O conselho do BNDES se reuniu ainda hoje e entendeu que há arestas importantes a serem acertadas entre os envolvidos", disse. Ele entregou ao presidente da Oi, Eurico Teles, um documento com pontos que "consolidam as arestas, para que o BNDES possa votar de forma favorável". Em sua manifestação, porém, Rangel não detalhou quais seriam esses pontos. O BNDES é o único credor da Oi com poder para vetar, sozinho, o plano de recuperação judicial.

Credores

Na fala dos credores, o presidente da Federação Interestadual dos Trabalhadores e Pesquisadores em Serviços de Telecomunicações (Fitratelp), representante dos credores da classe I – trabalhistas, João de Moura Neto, defendeu a unidade do plano, lembrando que em muitos municípios do interior só existe a telefonia fixa, que é concessão da Oi.

"Segregar a empresa, dividi-la, é uma agressão à prestação de serviço. São 140 mil empregos diretos e indiretos que dependem do resultado da assembleia", disse ele ao defender a aprovação do plano. A dívida trabalhista da Oi é de R$ 912 milhões.

O procurador do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Marcelo Rangel, também se posicionou pela consolidação da recuperação como grupo, "a visão mais harmônica e coerente", segundo ele. O BNDES representa o credor da classe II – com um total de R$ 3,3 bilhões a receber.

Na classe III de credores - quirografários, o Banco do Brasil e a Anatel também se pronunciaram a favor da consolidação como grupo para aprovação da recuperação judicial. Os bancos detém R$ 13,76 bilhões do total da dívida e a Anatel R$ 11 bilhões.

Já os representantes dos títulos internacionais (bondholders), que são os maiores credores, com um total de R$ 32,3 bilhões a receber, se manifestaram por avaliar o plano para fazer sugestões antes de ser votada a consolidação do grupo. Nenhum credor da classe IV – microempresas, que soma R$ 68,2 milhões em crédito, se apresentou para manifestação.