Mulher de Sérgio Moro tira do ar página do Facebook de apoio ao marido
Rosângela afirma que o espaço já "cumpriu o seu papel"
A advogada Rosângela Wolff Moro, casada com o juiz federal Sérgio Moro, divulgou na quinta-feira (30) que vai retirar do ar a página que mantêm no Facebook - "Eu MORO com ele" - em apoio ao marido.
A página servia para divulgar mensagens de admiradores do magistrado, e também foi usada por Moro para agradecer o apoio ao trabalho na Lava Jato.
Rosângela publicou uma mensagem de despedida afirmando que "a página cumpriu seu papel", e pediu que os eleitores votem com consciência em 2018 "Vote consciente! Seu voto pode mudar muito, muito mais que a Lava Jato!"
Veja a mensagem publicada:
"É chegada a hora da despedida. EuMoroComEle vai sair da rede. A página cumpriu seu papel. Ela foi criada para agradecer cada manifestação de apoio recebida e assim, eu e a Cláudia Vasconcelos Pires, administradoras da página, tentamos fazer. Mas antes, precisamos lembrar que: 1. O apoio de todos foi fundamental pelos momentos difíceis, 2. Meus dias de clausura ficaram amenos porque estive muito bem acompanhada por cada um de vocês, 3. Todas, absolutamente todas as lembranças recebidas serão eternamente guardadas; 4. A corrupção destrói nosso país, 5. A justiça é para todos; 6. O Brasil precisa de instituições fortes, 7. O parlamento precisa se mostrar efetivamente contrário à corrupção; 8. A lei não pode ser alterada para resultar em Impunidade, 9. Vote consciente! Seu voto pode mudar muito, muito mais que a Lava Jato! E, finalmente, 10. Vamos fazer uma retrospectiva com os nossos melhores momentos. OBRIGADA! OBRIGADA! OBRIGADA! "
Tacla Duran
A retirada da página acontece no dia seguinte ao depoimento do ex-advogado da Odebrecht Rodrigo Tacla Durán à CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) da JBS da Câmara dos Deputados, na qual ele afirma que o advogado de Curitiba Carlos Zucolotto, amigo de Moro, teria proposto a redução de multa à empreiteira com a condição de que US$ 5 milhões fossem para uma conta bancária em Andorra.
Segundo Tacla Durán, a minuta do Ministério Público sobre o acordo de delação da Odebrecht teve seu valor reduzido dos iniciais US$ 15 milhões para US$ 5 milhões. Segundo o advogado, diante do fato de que a procuradoria tinha conhecimento de que ele não tem dinheiro naquele país, "era juridicamente impossível descontar de uma conta minha em Andorra".
"Percebi que as preocupações eram estritamente financeiras", afirmou Tacla Durán, que, em seguida, confirmou um questionamento do deputado Wadih Damous (PT-RJ), que estava presente na sessão da CPMI. O parlamentar lembrou reportagem da colunista Monica Bergamo, na Folha de S.Paulo, em que Tacla Durán denunciava o recebimento de uma proposta "por fora". "É isso", confirmou o advogado da Odebrecht.
"Eu não aceitei porque me senti constrangido. O valor seria para ele e para quem estava ajudando ele. E seria pago em troca da atuação dele no caso", completou o advogado, acrescentando que não sabia quem seria a pessoa que estava auxiliando Zucolotto.
Durán frisou que Carlos Zucolotto tem boas relações com membros do Ministério Público e do Judiciário em Curitiba. Zucolotto nega ter feito a proposta, mas Tacla Durán apresentou à CPI perícia encomendada por ele que supostamente comprova a autenticidade de mensagens trocadas entre os dois em um aplicativo na internet.
Durán trabalhou para a Odebrecht de 2011 a 2016 e é acusado pelo Ministério Público de lavagem de dinheiro e pagamento de propina. Ele foi preso em novembro de 2016, na Espanha, na 36ª fase da Lava Jato, por ordem de Sergio Moro, e libertado depois que a Justiça espanhola negou sua extradição.
Ele deve responder o processo na Espanha, onde reside. Por isso o depoimento foi feito por meio de videoconferência.
Uma das provas questionadas pelo advogado diz respeito à acusação, feita em delação premiada pelo executivo Márcio Faria, ex-diretor da Odebrecht, de que o presidente Michel Temer e a cúpula do PMDB receberam propina de mais de 30 milhões de dólares.
Parte deste dinheiro, segundo a denúncia, teria sido depositado em uma conta no Meinl Bank, de Antígua, pelo próprio Duran.
