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'Le Monde': Presidente zumbi "ressuscita mortos-vivos da oposição"

Analista diz que vitória de Temer ascende sentimento de raiva contra políticos corruptos

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Matéria publicada nesta quinta-feira (3) pelo Le Monde sobre a votação que resultou em arquivamento do processo de corrupção contra Michel Temer diz em sua manchete que "o presidente brasileiro escapou de processo em clima de indiferença quase generalizada".

O diário francês conta que suspense, houve muito pouco. Apesar de uma maioria esmagadora da população a favor da destituição de Michel Temer e do tom indignado de alguns deputados, acusando-o de ser "ladrão", ou denunciando uma política que destrói os direitos dos trabalhadores e que deseja 'transformar a Amazônia num queijo suíço', o presidente provou mais uma vez, sua capacidade para enfrentar as tempestades.

Monde afirma que a alguns ele prometeu favores, a outros créditos ou o desbloqueamento de emendas favoráveis, esquecendo a escassez orçamentária e pensando apenas na sua sobrevivência, o presidente brasileiro.

O vespertino acrescenta que Michel Temer jantou no dia anterior com quase cem dos deputados de partidos menores, supostamente indecisos. 

O cientista político Paulo Baia disse ao Le Monde, que "nesta quarta-feira a Lava Jato recebe um golpe mortal, no meio da quase indiferença dos brasileiros, cansados e mais interessados na transferência da estrela de futebol Neymar do Barcelona para o PSG".

Le Monde descreve que como um "presidente zumbi",  o septuagenário mostra que ainda é capaz de construir uma maioria no Congresso, e, assim, para governar; continuando sua "missão redentora", nas palavras de seu advogado Antônio Cláudio Mariz: ou seja, realizar reformas impopulares na esperança de reanimar a economia.

A vitória de Michel Temer também pode de certa forma beneficiar seus adversários, de acordo com alguns analistas brasileiros. O fato é que a oposição vem notado um aumento crescente da indignação, preferindo deixar a raiva crescer contra Michel Temer para levar a melhor nas eleições de 2018. 

"Um governo com derramamento de sangue, que perdeu sua força, é capaz de ressuscitar até os mortos-vivos da oposição", comenta em seu blog Carlos Melo, cientista político do Insper Instituto de São Paulo.

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