Brasil terá protestos contra fila para cidadania italiana

Atos acontecerão nesta sexta em SP, RJ, Curitiba e Porto Alegre

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Candidatos a obter a cidadania italiana farão nesta sexta-feira (7) uma série de protestos em frente a consulados na América Latina, incluindo os de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Curitiba, para cobrar mais agilidade no processo.

Os atos foram convocados pelo Movimento Associativo Italianos no Exterior (Maie), partido de centro que representa cidadãos do país europeu vivendo fora de suas fronteiras e liderado pelo deputado ítalo-argentino Ricardo Antonio Merlo.

Além de quatro consulados da Itália no Brasil, haverá manifestações em sedes diplomáticas de cidades como Buenos Aires, Córdoba e Rosário, na Argentina, e Montevidéu, no Uruguai. Na maior nação da América Latina, os protestos são coordenados pelo paulista radicado em Recife Daniel Taddone, que disse à ANSA que as manifestações serão contra a "inércia" do governo para acelerar a obtenção de cidadania italiana.

Em São Paulo, por exemplo, que abriga uma das maiores comunidades italianas do mundo, são necessários 12 anos para um candidato ser chamado pelo consulado para reconhecimento da dupla nacionalidade, ou seja, hoje estão sendo convocadas pessoas que entraram na fila de espera em 2005. Um dos focos dos protestos será a taxa de 300 euros que cada adulto precisa pagar pelo processo, um valor instituído em 2014 e que, segundo o Maie, não está sendo restituído aos consulados.

"Essa taxa foi criada para potencializar nossos consulados e ajudar as filas, mas o governo 'tungou' esse valor e não repassou para consulado nenhum", afirmou Taddone, que é coordenador do partido no Nordeste e já trabalhou nas sedes diplomáticas de São Paulo e Recife.

Apesar de não considerar 7 de abril a data ideal para os atos - "seria melhor um dia de feriado no Brasil e em que a Itália trabalhasse -, ele espera reunir pelo menos 100 pessoas na capital paulista. "Mas não é uma manifestação contra os consulados", garantiu.

Procurado pela ANSA, o cônsul-geral da Itália em São Paulo, Michele Pala, reconheceu as reivindicações e ainda disse que a sede estará aberta para receber os manifestantes. "Nossa atitude é sempre de grande abertura. O lema do consulado é transparência e diálogo, não temos nenhum problema em conversar com pessoas que têm legítimas reivindicações", afirmou Pala, que está em missão oficial no Acre - o vice-cônsul Simone Panfili estará na metrópole durante os protestos.

Ultimamente, o consulado de São Paulo vem aumentando a quantidade de convocados: a lista referente ao quarto trimestre do ano passado incluía 1.980 pedidos, enquanto a dos primeiros três meses de 2017 contemplou 2.835, um crescimento de 43,18%.

Na capital paulista, pouco mais de 61 mil solicitações estão na fila de espera (sem contar os dados de 2016). Levando em conta que até 2013 os pedidos eram familiares, e não individuais, o número de pessoas aguardando chega à casa das centenas de milhares. "Estamos no limite do que se pode fazer com recursos limitados.

Não tem muito para acelerar. Entendo a frustração de quem tem de esperar, mas é importante ficar claro que o consulado está fazendo o possível, os funcionários já têm uma produtividade muito alta, mas não à altura de enfrentar um atraso que tem razões históricas", acrescentou Pala.

O cônsul-geral ainda lembrou que as representações diplomáticas precisam atender aqueles que já são cidadãos italianos, número que, contabilizando apenas os inscritos na sede paulista, ultrapassa as 200 mil pessoas - menos de 20 cidades na Itália possuem populações superiores a essa, o que dá a medida do problema.

"O consulado vai fazer o possível para diminuir o tempo de espera, mas, no momento, não tenho recursos para poder fazer uma redução significativa", afirmou Pala, ressaltando que o destino da taxa de 300 euros não depende dos consulados. "O tempo de espera é transparente. As pessoas podem ficar tranquilas que essa coisa de furar fila não existe no consulado de São Paulo", completou.