José Serra e Michel Temer negociam pacto para novo governo
"Eu acho altamente provável que o impeachment se materialize", diz senador tucano
O senador José Serra (PSDB), autor do projeto de lei que tirou a obrigatoriedade da participação da Petrobras no pré-sal, acredita que o impeachment da presidente Dilma Rousseff é "altamente provável". Em entrevista ao jornal Estado de S. Paulo, o tucano destacou que o vice-presidente Michel Temer (PMDB) deve assumir compromissos com a oposição e com o país caso Dilma seja afastada. O compromisso, no caso, estaria em abrir mão de concorrer à reeleição, não interferir nas disputas municipais deste ano, não promover uma 'caça às bruxas' e montar um Ministério “surpreendente”.
José Serra tem conversado com empresários, nomes do mercado, do Judiciário e da política sobre a possibilidade de Michel Temer assumir a presidência da República. Os ex-ministros Nelson Jobim e Armínio Fraga, o deputado Roberto Freire (PPS), o ministro do STF Gilmar Mendes e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fazem parte do grupo.
Serra ajuda Michel Temer no chamado Plano de Reconstrução Nacional. Para ele, as áreas da infraestrutura e de exportações são vitais para o sucesso do plano.
"Eu acho altamente provável que o impeachment se materialize. Que a Câmara considere o processo admissível, o Senado, idem, e que o Senado vote com os dois terços necessários para completar o processo de impedimento. Minha avaliação é que isso tende a acontecer", disse José Serra na entrevista.
Para Serra, uma renúncia da presidência "seria melhor para o país, para a política e para ela própria". Dilma Rousseff, contudo, já deixou claro que não cederá a insinuações e pressões para que isto se concretize.
Serra procurou deixar claro que sua defesa da renúncia não abarca "nenhuma questão de natureza pessoal ou de fundo oposicionista". "É uma realidade cada vez mais clara para todos. Eu penso assim desde o início do segundo mandato dela", alega o senador do PSDB.
"O Michel Temer assumindo, eu diria que deveria se batalhar para se formar um governo de união e de reconstrução nacional, com todas as forças interessadas na recuperação do País. Creio que, pelo lado do Michel, haverá a necessidade do compromisso de ele não disputar a reeleição. Um compromisso que vai se materializar facilmente na medida em que o Senado vote a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) pelo fim da reeleição", destacou o senador.
José Serra também procurou defender que o país precisa ser "refeito" para se recuperar de uma queda da renda das famílias e do desemprego. "É importante que o novo governo [que seria assumido pelo vice Michel Temer] evite se meter nas eleições municipais deste ano e nas estaduais mais adiante, porque isso seria um fator de desestabilização. O outro ponto é não retaliar o passado. O novo governo não deve realizar nenhum tipo de retaliação a nenhuma força política. Seja das que participam, seja das que foram derrotadas."
José Serra foi derrotado pela presidente Dilma Rousseff na eleição presidencial de 2010 e chegou a ter seu nome cogitado para a disputa do PSDB em 2014, mas foi descartado.
