Lula: 'Se vierem três anos de pancadaria pela frente, eu vou sobreviver'

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O ex-presidente Lula disse nesta quinta-feira (29), em ato de desagravo do Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores contra os ataques e denúncias que ele e seu filho vêm sofrendo, que resistirá até o fim. Em tom de brincadeira, Lula questionou se as investigações avançariam sobre todos os seus familiares.

"Se vierem três anos de pancadaria pela frente, eu vou sobreviver. Não sei se eles sobreviverão com a mesma credibilidade que eles acham que têm. Eu ainda tenho mais três filhos que não foram denunciados e tenho sete netos, isso não vai terminar nunca. Ainda tenho uma nora grávida, não sei qual é o processo que virá contra o meu neto que vai nascer".

O ex-presidente citou os 19 pedidos de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff "sem nenhuma base legal", segundo ele, o pedido do PSDB no TSE pela recontagem de votos logo após as eleições de 2014 e as quatro representações no tribunal em que se pede anulação do pleito, para criticar a agenda negativa da oposição.

Lula afirmou que o país não pode esperar por mais quatro meses para que o Congresso Nacional vote o ajuste fiscal. Ele disse que o governo está se esforçando para superar problemas como o enfraquecimento dos partidos e das lideranças na condução da base aliada, além da força do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), "junto a um conjunto muito grande de deputados".

Ele disse, porém, que a bancada petista precisa negociar a pauta no Parlamento, bem como entender que o governo não pode prescindir de diálogo com Cunha. "Nossos líderes têm que negociar com os presidentes da Câmara e do Senado, porque eles existem e presidem as Casas. Se não negociamos, não temos muitas opções", observou o líder petista.

Para o ex-presidente, a bancada parlamentar petista também precisa afinar o discurso para ajudar o governo na condução do ajuste. Em seu discurso, Lula interpelou diversas vezes o senador Lindbergh Farias (RJ), que estava na plateia e é um dos maiores críticos da política econômica do Planalto.

"Vejo gritarem 'Fora Levy' com a mesma facilidade com que gritavam 'Fora FMI', e não é a mesma coisa. A prioridade zero do nosso partido no Congresso hoje é criar condições para aprovar as medidas que a presidenta Dilma mandou para que ela encerre essa ideia do ajuste, para que possamos ver a economia brasileira voltar a crescer. Sem a conclusão desse ajuste ficamos numa confusão política e não ficamos livres para discutir os outros assuntos".

Em consonância com as declarações da presidente Dilma Rousseff dadas nesta quinta-feira (29) sobre cortes de recursos do Bolsa Família, como sugeriu o relator do Orçamento de 2016 no Congresso Nacional, Lula também criticou a proposta de recorte no programa social que é o carro-chefe do governo petista.

"Tem gente quer quer resolver o problema do orçamento cortando até o Bolsa Família. As pessoas vão falando qualquer coisa que vêm à cabeça", atacou o ex-presidente. 

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Por Eduardo Miranda