Observatório da Imprensa destaca pluralismo do Jornal do Brasil

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O Jornal do Brasil foi destacado em programa do Observatório da Imprensa veiculado nesta terça-feira (15), que debateu os novos padrões da indústria da notícia e o futuro da profissão. Um dos entrevistados pelo programa, o jornalista Silvio Barsetti, ressaltou a importância do Jornal do Brasil quando era um dos grandes jornais, em questão de tamanho da equipe, por exemplo, do país. 

"Os grandes jornais do país viraram panfletos políticos nos últimos anos, eles se partidarizaram, perderam a credibilidade, deixaram de ter o respeito de uma fatia importante da sociedade. Lamento muito que não haja hoje um Jornal do Brasil que era um espaço aberto ao pluralismo, ao debate do contraditório, e isso foi se esfacelando aos poucos, não existe mais isso. Então, a partir do momento que esses grandes jornais viraram panfletos, muita gente deixou de assinar, deixou de comprar", destacou o jornalista Silvio Barsetti

José Castello, jornalista e escritor, criticou o que chamou de "obsessões" que dominam o pensamento da mídia, e que têm uma influência psicossocial cada vez mais forte na sociedade, e que reforçam uma incapacidade de pensamento. "Eu acho que isso, em parte, é um pouco reflexo do que está acontecendo com o país. As pessoas estão com uma imensa dificuldade de dialogar. Estão com uma imensa dificuldade de sentar uma diante da outra e confrontar suas diferenças. Estão com uma imensa dificuldade de trocar ideias. Está todo mundo gritando. Há uma espécie de histeria coletiva no Brasil. Grita-se, grita-se, grita-se, e isso na verdade produz um grande silêncio. Porque é um grito que não significa nada. Não tem significado. E a capacidade de dialogar está em baixa." 

O mês de setembro começou sombrio para os jornalistas cariocas com o corte de cerca de 40 jornalistas nas redações dos jornais O Globo e Extra, administrados pelo Grupo Infoglobo. O total deste ano chega a mil profissionais desligados de veículos importantes como os sites Terra, R7, Grupo Bandeirantes, na Agência Estado e jornal O Dia. O jornal Brasil Econômico acabou.A assessoria do Infoglobo confirmou que a empresa passa por um processo de reorganização interna que exige uma adequação ao cenário atual do mercado de comunicação.A lógica de mercado não é obedecida no setor de comunicação. As empresas que mais demitem são também as que mais arrecadam em publicidade - privada e oficial. Reportagem da revista Meio & Mensagem revela que o "setor de mídia brasileiro é o 8º mais representativo em um ranking liderado por indústria, bancos e alimentos". O balanço é divulgado anualmente pela revista Forbes que publica a lista dos bilionários do país. Segundo a revista os irmãos Marinho possuem um patrimônio avaliado em 46 bilhões de reais. Enquanto isso, as empresas demitem profissionais com mais de duas décadas de jornal e, normalmente, admitem outros com salários 30% inferiores e contratados por Pessoa jurídica.Diante deste quadro, o Observatório da Imprensa reúne, em estúdio, profissionais para um debate sobre os novos padrões da indústria da notícia e o futuro da profissão que já foi considerada o quarto poder.