Empresa alemã de engenharia investiga denúncia de pagamento de propina na Copa do Mundo

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A Bilfinger, empresa alemã de engenharia que participou da Copa do Mundo no Brasil, informou que está investigando denúncias internas de casos de pagamento de propina a funcionários públicos e estatais brasileiras, além da própria Fifa. Segundo o jornal alemão “Bild” a empresa teria pago 20 milhões de euros – equivalente a R$ 70 milhões – para conseguir os contratos de construção no Brasil. Ainda de acordo com o jornal, os pagamentos teriam sido feitos através da Mauell. A confirmação foi dada no último domingo (22).

Após a publicação da reportagem do jornal alemão, a Bilfinger informou que após as primeiras investigações terem sido feitas, há realmente indícios de pagamento de propinas feitos de dentro da empresa, mas que garante ainda não haver dados suficientes para saber os nomes dos envolvidos no esquema. No entanto afirmou que vai entrar com as ações legais caso seja comprovado a existência do esquema de pagamento de propinas. Um porta-voz da Mauell informou à Folha que a empresa não fez negócios com a Fifa.

De acordo com o Portal da Transparência, a Bilfiger recebeu um pagamento de R$ 21,2 milhões do governo federal. Entre os contratos feitos entre a empresa e o Brasil, está o do fornecimento de monitores para o Centro Integrado de Comando e Controle da Copa do Mundo-2014 – custando R$ 13,1 milhões.

De acordo com a Folha, a Fifa disse que: "o controle de tráfego e os centros de segurança das 12 cidades-sedes da Copa do Mundo eram responsabilidades dos governos locais. A Fifa e seus funcionários não se envolveram nos contratos com as cidades-sedes ou o governo federal. Tarefas como controle do tráfego, policiamento, serviços de resgate e bombeiros são claramente responsabilidade das autoridades locais e eles as desempenharam como tal; isso não pertence às areas de responsabilidade e influência da Fifa. A Fifa lamenta não ter sido contactada pelo jornal 'Bild' antes da publicação do texto para ter sido capaz de esclarecer esses pontos."

O comunicado oficial da Bilfiger informa que a empresa decidiu contratar auditores fiscais para investigar o ocorrido, tanto na Alemanha quanto no Brasil. Eles informaram que há “substância” nas investigações, mas que ainda não estão completas. Confira o comunicado na íntegra:

"A Bilfinger recebeu informações internas no ano passado indicando que pode ter havido violações nos regulamentos de ética do grupo a respeito do fornecimento de monitores para centros de segurança em grandes municípios brasileiros. A empresa imediatamente abriu uma completa investigação sobre o caso. A denúncia está ligada à suspeita de pagamento de propinas por parte de funcionários da Bilfinger no Brasil a funcionários públicos e funcionários de empresas estatais.

Como um primeiro passo, a Bilfinger contratou os auditores da Ernst & Young para realizar uma varredura abrangente nos dados da empresa na Alemanha e no Brasil. Posteriormente, contratamos a auditoria Deloitte e um escritório de advocacia no Brasil para esclarecer melhor o caso. As suspeitas estão substanciadas. A investigação, no entanto, ainda não está completa. O mesmo se aplica às questões de a quem e de quanto foram os pagamentos feito. Caso as alegações sejam confirmadas, a Bilfinger irá adotar medidas legais contra as pessoas envolvidas.

O volume dos pedidos para equipar os centros de segurança chega a aproximadamente 6 milhões de euros (R$ 21 milhões). Pedidos desse tamanho não são tratados com o conselho executivo do grupo. Esses serviços incluem o fornecimento dos monitores e o software necessário para controlá-los. O software em questão foi desenvolvido "in-house". Nenhum software foi comprado da IBM.

Bilfinger tem um sistema de ética que é válido para todo o grupo. Ele está em conformidade com as normas internacionais e é desenvolvido regularmente. A empresa continua em busca de informações sobre possíveis violações através de suas próprias investigações e notifica as autoridades competentes."