PR: professores em greve pressionam governo tucano
No fim da tarde, o pacote de medidas de austeridade foi retirado da Assembleia
A greve dos professores da rede estadual de ensino do Paraná teve uma adesão quase total das escolas. Desde segunda-feira, apenas uma escola voltou às aulas, enquanto as outras 2.099 não abriram as portas, o que deixou mais de 950 mil alunos sem voltar das férias. Essa manifestação teve a adesão de outras 16 categorias do funcionalismo público do estado, inclusive da área da saúde e agentes penitenciários. Com a crise de água no estado de São Paulo e agora a revolta dos servidores públicos no Paraná, os tucanos estão em grandes apuros.
Desde a última segunda-feira (9), os educadores do estado do Paraná estão acampados em frente à Assembleia Legislativa e ao Palácio Iguaçu, sede do Executivo na capital paranaense. O acampamento tem como objetivo pressionar os deputados a não aprovar um pacote de medidas drásticas propostas pelo governador Beto Richa (PSDB), que visa reduzir os gastos públicos. Porém, essas medidas afetariam diretamente os vencimentos dos servidores públicos, ativos e pensionistas. Dezesseis categorias já se manifestaram em apoio aos professores.
O governo do Paraná insistia em revisar a tabela de progressividade dos ganhos dos professores, afetando entre outras coisas o auxílio transporte, que pode gerar uma perda de R$ 720 nos vencimentos mensais daqueles professores que trabalham 40 horas semanais.
Outro fato que mobiliza os grevistas é a maneira que o governo pretendia transferir para uma cota única o dinheiro do fundo de providência dos servidores aposentados. Segundo os sindicatos, o governo quer esse dinheiro (que gira em torno de R$ 8 milhões) para cobrir um rombo nos cofres públicos do Estado.
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O deputado estadual Tercílio Turini (PPS), se posicionou contrário ao pacote de medidas proposto pelo governo, e alertou que a medida pode gerar uma longa greve na rede estadual de ensino do Paraná.
“Vemos uma mobilização no Estado como pouco se viu. Essa aprovação pode levar o Paraná a uma greve geral muito longa. E comissão geral é uma excrescência, porque elimina todo tipo de debate”, alertou o deputado.
Em entrevista à rede RPC, o chefe da Casa Civil do Estado, Eduardo Sciarra, negou que o dinheiro será usado para cobrir o rombo dos cofres públicos, e garantiu que seguirá sendo usado para pagar os pensionistas.
Na tarde desta quinta-feira (12), uma sessão que contou com a presença de 44 dos 54 parlamentares, durou pouco mais de meia hora, e acabou remarcada. Durante a sessão, o líder da base aliada do governo, deputado Ademar Traiano (PSDB), pediu para que os membros da oposição negociassem com os manifestantes um acordo.
Governo cede a pressões e retira "pacotaço"
O secretário-chefe da Casa Civil, Eduardo Sciarra, pediu a retirada do conjunto de medidas de austeridade proposto pelo governador Beto Richa (PSDB), para revisão. A mensagem para a retirada foi enviada ao presidente da Casa, deputado Ademar Traiano (PSDB), na tarde desta quinta-feira (12). Em comunicado, o governo tucano disse que o reexame da matéria vai ocorrer "em virtude das manifestações".
Esta tarde, os professores invadiram o pátio da Assembleia e houve confronto com a polícia. Os policiais usaram bombas de efeito moral e balas de borracha. Os manifestantes seguiram em frente e só começaram a deixar o local quando foi anunciada a retirada do pacote de medidas.
*Do programa de estágios do JB
