Juíza responsável por união gay: gaúchos não são homofóbicos 

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O Movimento Tradicionalista do Rio Grande do Sul é visto por muitos como o baluarte daquilo que mais orgulha o povo gaúcho: sua cultura e passado de luta. Mas na semana passada, o incêndio de Centro de Tradições Gaúchas (CTG) na cidade de Santana do Livramento que seria palco de um casamento gay trouxe à tona o viés do preconceito e da intolerância. O argumento daqueles que eram contra era o de que a união de duas mulheres seria uma afronta ao que prega o tradicionalismo.

Entretanto, a juíza Carine Labres, responsável pelo casamento, rejeitou o argumento apresentado pelos tradicionalistas dizendo que se tratava de preconceito. “A justificativa, que não foi aceita por mim, era de que casais homossexuais não poderiam casar dentro de um CTG porque isso é um afronta e desrespeito ao tradicionalismo. Eu não aceito essa resposta”, disse a magistrada em entrevista ao Terra.

Sua juventude, 34 anos, e a visão de uma sociedade livre de preconceitos talvez sejam sua principal fonte de energia para enfrentar a pressão vinda de uma pequena parcela de fundamentalistas contrários ao casamento de duas mulheres. “A sociedade de Santana do Livramento e o Estado do Rio Grande do Sul não são homofóbicos, não são preconceituosos. Acontece que uma pequena minoria ainda que seja muito barulhenta conseguiu trazer o holofotes para a questão do preconceito, do ódio em relação a aqueles que são diferentes”.

Para ela, o casamento gay dentro de um CTG no mês de setembro, quando se celebra a Semana Farroupilha, seria um símbolo da aceitação e da evolução, mas terminou sendo um exemplo claro de que uma legislação própria contra crimes de homofobia é uma necessidade cada vez mais latente na sociedade brasileira.