Instituto Sou da Paz propõe penas alternativas para microtraficantes
O Instituto Sou da Paz lançou hoje (8) a campanha "Eu acredito no caminho de volta", que objetiva estimular a adoção de penas alternativas à prisão, no caso de pessoas detidas por tráfico de pequeno volume de drogas, os chamados microtraficantes. Em um A maior parte deles é pobre, preta ou parda, tem pouca escolaridade e não foi flagrada praticando violência, informa estudo do Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da Universidade de São Paulo (USP). Após analisar 667 autos de prisão em flagrante feitos, entre 2010 e 2011, na cidade de São Paulo, o NEV constatou que 57,3% dos réus não tinham antecedentes criminais; 94,31% não eram ligados a organizações criminosas e 80% tinham até o primeiro grau de escolaridade completo. Já pesquisa do Instituto Sou da Paz, feita na capital paulista em 2011, mostra que 97% dos detidos não portavam armas ao serem presos. Entre os que foram pegos com maconha, 53,7% foram flagrados com 10,1 gramas a 100 gramas e apenas 6,7% com mais de 1 quilo da droga. Entre os que foram apanhados com cocaína, os números ficam em 52,6% e 4,58%, respectivamente. O instituto analisou 4.559 casos de prisão por porte de drogas. Na opinião do jurista Luiz Flávio Gomes, essas pessoas acabam servindo de soldados para grandes traficantes, no convívio nos presídios. Para ele, o que pode mudar a vida dessas pessoas é a educação e o trabalho. De acordo com Gomes, hoje apenas 10% dos presos brasileiros conseguem trabalhar no sistema penal. “A prisão não educa, ao contrário. A adoção de outras medidas melhoraria bastante o sistema penitenciário”, afirmou.
