Programa Mais Médicos preenche 10,5% do total de profissionais solicitados

"O Brasil não tem número de médicos para atender todas as áreas do nosso país", diz Padilha

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No primeiro mês de inscrições no Programa Mais Médicos, do governo federal, foram selecionados 1.618 profissionais para atuar em 579 postos da rede pública em cidades do interior do país e periferias de grandes centros, informou nesta quarta-feira (14) o Ministério da Saúde. O total representa 10,5% dos 15.460 médicos necessários, segundo demanda apresentada pelos municípios. 

O balanço final aponta que 1.096 médicos selecionados se formaram no Brasil e 522 no exterior —358 são estrangeiros e 164 brasileiros com atuação em 32 países do mundo. Argentina (141), Espanha (100), Cuba (74), Portugal (45), Venezuela (42) e Uruguai (25) são os países com maior adesão ao programa. De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, dos 74 médicos formados em Cuba, nenhum é cubano. Cerca de 70% dos médicos, tanto estrangeiros quanto brasileiros, se formaram nos últimos dez anos.  

"Ficou muito claro nesses 15 dias que o Brasil não tem número de médicos para atender todas as áreas do nosso país. Portanto, está correta a estratégia do Ministério da Saúde. O que nos move é levar médico pra quem precisa e, para isso, vamos usar todas as estratégias legais que o ministério tem para fazer isso", disse Padilha.

De acordo com o ministério, 67,3% dos médicos vão atuar em regiões de extrema pobreza e distritos de saúde indígena. “Essa foi uma estratégia importante para ocupar postos em região de fronteira”, disse Padilha. O balanço mostra ainda que dos 3.511 municípios inscritos, 703 não foram contemplados com nenhum médico.

No próximo dia 19, o ministério abrirá inscrições do programa para médicos e municípios, no segundo mês de seleção. “Em agosto, temos a expectativa de que vários médicos que se formaram no mês de julho se inscrevam”, disse Padilha. Após essa etapa, a inscrição para municípios será reaberta apenas no final do ano.

No Mais Médicos, os profissionais formados no Brasil e os que têm diplomas revalidados no país têm prioridade nas vagas para as regiões carentes. Os postos que não forem preenchidos por eles são ocupados por médicos brasileiros que se formaram no exterior e, em seguida, pelos estrangeiros.

No caso dos estrangeiros, antes de iniciar o trabalho, os profissionais passarão por três semanas de capacitação, com foco no funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS) e língua portuguesa. Durante o período de atuação, terão o trabalho supervisionado por universidades. Os estrangeiros não precisarão fazer o Revalida (Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituições de Educação Superior) e, por isso, terão registro provisório por três anos para atuar na atenção básica e com validade restrita ao local para onde foram designados.

O Programa Mais Médicos foi criado por medida provisória e tem entre os objetivos ampliar o número de médicos nas regiões carente do país.

Com Agência Brasil