SP: 56 são presos por depredação e saques durante protesto

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A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo afirmou no final da noite desta terça-feira que pelo menos  56 pessoas foram presas por depredação e saques durante os protestos realizados na capital paulista.

Além disso, foram apreendidos televisões de plasma, microondas, roupas e até mesmo um fogão de quatro bocas que era carregado na praça da Sé.

Bombas de gás, spray de pimenta e cassetetes dos policiais militares sumiram das ruas de São Paulo depois daquela quinta-feira, quando manifestantes e jornalistas foram reprimidos com violência em um protesto que seguia pacífico contra o aumento da passagem de ônibus. Cinco dias depois, um novo ato terminou, nesta terça-feira, marcado pela ação de uma minoria de vândalos que tentou invadir o prédio da prefeitura, queimou o veículo de transmissão de uma emissora de TV e causou revolta em quem queria protestar em paz. Desta vez, a repressão parece ter dado lugar à omissão policial.

O protesto começou por volta das 17h, na Praça da Sé, quando uma multidão seguiu de forma pacífica pelas ruas da região central. A situação ficou fora de controle quando um grupo de vândalos, que seguia na frente, passou a depredar o prédio da prefeitura. Percebendo a violência, manifestantes ligados ao Movimento Passe Livre (MPL) começaram a abandonar a mobilização e seguir para a avenida Paulista.

Durante quase três horas, o que se viu na região central da capital foi uma sucessão de depredações, saques em lojas, quebra-quebra. Os 50 mil homens e mulheres que caminhavam bradando palavras de ordem, deram lugar a uma minoria de cerca de 500 vândalos que se sentiram livres para destruir o que viam pela frente. 

Eles começaram pelo prédio da prefeitura, onde uma equipe da Guarda Municipal e alguns policiais da força tática faziam a segurança. Um grupo que não queria que o movimento fosse manchado pela violência, tentou impedir a ação. "Sem violência, sem vandalismo", gritavam os manifestantes, que faziam uma espécie de escudo humano para evitar que a prefeitura fosse invadida. Praticamente todos os vidros do primeiro andar foram quebrados. O prédio ainda foi pichado com a frase "R$ 3,20 não", em alusão à tarifa do transporte público em São Paulo.

Os vândalos não conseguiram ocupar o prédio, mas botaram fogo na base da PM que fica junto à prefeitura, incendiaram o carro de transmissão da TV Record e agências do Itaú, além de invadir e saquear diversas lojas da região. Dois guardas da prefeitura ficaram feridos, um deles levou nove pontos na cabeça. Em todo esse tempo, não se viu um policial sequer intervindo para impedir a ação dos criminosos. O Theatro Municipal também sofreu uma tentativa de invasão, as paredes e os vitrais foram pichados e, segundo a direção do local, as cerca de 300 pessoas que assistiam a uma ópera ficaram assustadas ao deixar o teatro e ver o rastro de destruição. 

Administrador de empresas, Daniel Vilhena, 35 anos, disse ao Terra que ficou preso no escritório onde trabalha, em frente à prefeitura, até as 21h30, quando se arriscou sair em meio à confusão. "Participei da manifestação ontem, foi super pacífico, mas hoje eu vi de camarote uma ação de depredação, de vandalismo mesmo", lamentou. Ele ainda criticou a ausência da PM. "Onde estava a polícia? Parece que é oito ou 80, ou desce o cacete, ou fica ausente e deixa quebrarem tudo".

Moradora do prédio do antigo hotel Othon, Marcela Bezerra do Nascimento, 25 anos, precisou sair às pressas de casa carregando o que conseguia nas mãos. No térreo da construção existe uma agência do Itaú que ficou completamente destruída após incêndio provocado pelos vândalos. "Estamos desesperados, agarrei meus filhos, peguei o documento, as roupas do bebê e fugi. Ninguém da polícia foi nos ajudar", disse ela, que ficou com medo da fumaça que atingia o prédio de 25 andares, ocupado por moradores sem-teto.

A Força Tática chegou para tentar conter os manifestantes somente depois de três horas de depredação. O Batalhão de Choque precisou ser acionado às pressas. Eram 22h quando bombas de efeito moral começaram a ser disparadas na Praça do Patriarca. Saqueadores, que corriam com computadores nas mãos, foram detidos. "Parece que eu andei 14 quilômetros ontem por nada. Hoje perderam o controle", disse um homem que se identificou apenas como Osmar. Ele fez referência à marcha pacífica do dia anterior, quando 65 mil pessoas caminharam pelas ruas da cidade.