Protesto contra aumento das passagens tem 15 presos em SP
No Centro do Rio, manifestação também teve confusão
Ao todo 15 pessoas foram detidas por conta do protesto contra o aumento das tarifas de ônibus, trem e metrô, que terminou em confronto entre policiais e manifestantes na noite desta quinta-feira, na Avenida Paulista, na região central de São Paulo.
A Polícia Militar informou que os detidos foram encaminhados para o 78º DP (Jardins). O presidente do Sindicato dos Metroviários, Altino de Melo Prazeres, faz parte do grupo.
Pela estimativa policial, aproximadamente 2 mil pessoas participaram do protesto - a organização Passe Livre, que liderou a passeata, indicou que o evento reuniu cerca de 5 mil.
Nesta quinta-feira, os manifestantes fecharam a bifurcação entre as avenidas 23 de Maio e 9 de Julho, na região do Terminal Bandeira, no centro de São Paulo, por volta das 19h, e interditaram as vias queimando caixotes e itens de sinalização de trânsito. Os manifestantes entraram no Terminal Bandeira e, de acordo com a PM, danificaram e picharam ônibus. A polícia então utilizou munições químicas, como gás lacrimogêneo, e balas de borracha.
Aumento de tarifa
As tarifas de ônibus, metrô e trem da cidade de São Paulo passaram a custar R$ 3,20 no domingo. A prefeitura informou que a proposta de reajuste, de 6,67%, foi enviada em 22 de maio à Câmara de Vereadores. A tarifa anterior, de R$ 3, vigorava desde janeiro de 2011.
Segundo a administração paulista, caso fosse feito o reajuste com base na inflação acumulada no período, aferido pelo IPC/Fipe, o valor chegaria a R$ 3,40. "O reajuste abaixo da inflação é um esforço da prefeitura para não onerar em excesso os passageiros", disse em nota. A previsão é que haja pagamento de R$ 1,25 bilhão em subsídios ao sistema de ônibus em 2013.
A Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) também alegou que o reajuste é menor que a inflação no período de janeiro de 2012 a maio de 2013, que foi de 7,2%. "Ao comprar uma passagem no Metrô, o passageiro tem acesso aos 74,3 quilômetros da malha metroviária e aos 260 quilômetros da rede ferroviária da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos)", disse a empresa em nota.
O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou, junto com o governador Geraldo Alckmin (PSDB), que o preço abaixo da previsão é um esforço feito para colaborar com o governo federal, que enfrenta dificuldades para manter a inflação no teto da meta estabelecida (6,5%).
Ele também havia declarado que o reajuste poderia ser menor caso o Congresso aprovasse a desoneração do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) para as passagens de ônibus, trem e metrô. O decreto foi publicado na semana passada, mas não houve manifestação da administração municipal.
No Rio, manifestantes também entraram em confronto com a polícia
No Rio, o protesto contra o aumento das passagens causou tumulto na Avenida Presidente Vargas, no Centro, nesta quinta-feira. Manifestantes e policiais entraram em confronto e dois manifestantes foram atingidos por balas de borracha. Quatro foram levados para a delegacia e liberadas logo em seguida.
A polícia informou que alguns manifestantes atiraram pedras portuguesas nos agentes e foram encaminhados à 4ª DP (Praça da República).
A PM alegou que apenas agiu contra o bloqueio ilegal da via para garantir o direito constitucional de ir e vir de milhares de pessoas. A Avenida Presidente Vargas ficou ocupada por quase duas horas. O protesto provocou congestionamento na região e os reflexos no trânsito chegaram até a Praça XV.
A tarifa passou de R$ 2,75 para R$ 2,95 e entrou em vigor no sábado (1º).
