Haddad enfrenta crise com movimentos de moradia em São Paulo
Na próxima quarta-feira, a UNMP irá promover um protesto em sete locais da cidade
Após completar 100 dias de governo na prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad (PT) já enfrenta uma crise com os movimentos sociais. Na próxima quarta-feira (17), a União Nacional por Moradia Popular (UNMP) irá promover um protesto em sete locais da cidade. Segundo Maria das Graças Xavier, coordenadora do movimento, a estimativa é que cerca de 8 mil pessoas participem da manifestação, voltada contra a falta de clareza da prefeitura com relação a habitação para a população de baixa renda.
“O prefeito foi eleito e colocou uma pauta de atendimento para a moradia de baixa renda, mas até agora não fez nada de diferente. A prefeitura assinou um convênio com o governo estadual para a construção de 20 mil moradias, mas destinou apenas 2 mil para pessoas de baixa renda, que ganham até três salários mínimos por mês. Nossa contra-proposta foi de, no mínimo, oito mil”, afirmou Maria das Graças Xavier.
Ao todo, serão sete pontos de encontro espalhados por São Paulo: próximo as estações do metrô Belém, Liberdade, São Bento, Barra Funda, Sé, do Pátio do Colégio e da Avenida Celso Gárcia, na zona leste da cidade. A estimativa é que a passeata, que contará com cinco carros de som, faixas e cartazes, chegue por volta das 10h30 na sede da prefeitura, no centro da cidade.
De acordo com a coordenadora, na quinta-feira houve uma reunião entre representantes do UNMP e da prefeitura, porém não houve acordo entre as partes. “Essa proposta do governo estadual já existia (para 20 mil moradias) já existia. Agora, o prefeito Haddad tem recursos federais, estaduais e municipais, mas eles afirmaram que não têm como interferir no projeto”, afirma. Por isso, caso não haja consenso após o protesto da próxima quarta-feira, o movimento já pensa em organizar uma manifestação contra o governo do Estado.
100 dias
O governo de Fernando Haddad não se diferencia dos anteriores quanto a causa das moradias em São Paulo. É essa a avaliação de Maria das Graças Xavier aos 100 dias do governo petista na cidade. “Ele (Haddad) não afirmou que irá realizar projetos destinados às pessoas de baixa renda. Além disso, os despejos continuam ocorrendo e propostas ainda não foram apresentadas”, afirma.
Para a coordenadora, a UNMP rejeita a nomeação de Edmundo Ferreira Fontes, ligado ao PcdoB, como assessor especial do secretário Floriano de Azevedo Marques – indicado pelo PP - como interlocutor da secretaria da Habitação com os movimentos sociais. “O PcdoB sempre estave ao lado do governo de Gilberto Kassab, ninguém viu eles protestando contra, por isso não há diferença entre PcdoB e PP”, afirmou.
Já sobre o secretário de Habitação ser uma indicação do PP – partido de Paulo Maluf – a coodenadora da UNMP se mostra contrária a decisão. “Esse partido (PP) não tem nenhuma ligação com o movimento para habitação populares, então desde o começo da campanha fomos contra o secretário ser ligado a isso” afirma. “A nossa ideologia é atender as famílias de baixa renda, independente de se o PT ou o PP estiver no governo, se não nos atender, nós vamos para as ruas protestas”, conclui a coordenadora.
